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Educação na mídia

 
24 de agosto de 2010



Sem chance para o enrolation

Além de português, literatura e artes, prova na área de linguagens vai exigir dos candidatos ao Exame Nacional do Ensino Médio vocabulário e interpretação em inglês ou espanhol

Fonte: Estado de Minas (MG)



 

Para quem pensa que basta enrolar a língua para falar inglês ou mandar um portunhol de primeira para dominar o espanhol, é bom esquecer o “enrolation” na prova do Exame Nacional do ensino médio (Enem). Pela primeira vez, a edição deste ano vai exigir conhecimentos em outro idioma. Dentro da área de linguagens, na qual são cobrados também português, literatura e artes, os estudantes deverão demonstrar domínio de vocabulário e capacidade de interpretação em inglês ou espanhol. E quem estava acostumado a escolher as respostas do vestibular ou das avaliações da Escola contando com aquela ajuda da sorte para encontrar a opção correta deve acender o sinal amarelo. Segundo especialistas, para língua estrangeira vale a mesma recomendação do restante das matérias do Enem: o famoso ‘chutômetro’ está fora de questão. 

Recado que a estudante Bruna Castanho, de 19 anos, candidata a uma vaga em medicina, entendeu bem. Ela vai encarar o segundo processo seletivo e, este ano, sentiu algumas mudanças nas aulas do cursinho, embora acredite que a preparação não se altere. “O aluno que estudou para o vestibular antigo estará preparado para o Enem. A abordagem anterior envolvia muito a estrutura da língua. Hoje, fazemos em sala um trabalho mais textual, do conteúdo do texto e do contexto em si. São questões mais elaboradas para se adequar ao estilo do exame”, afirma a aluna. 

Bruna fez curso de inglês durante seis anos e, por isso, optou por este idioma no Enem. Para ela, atenção é fundamental: “A interpretação de texto não será como na Universidade Federal de Minas Gerais, em que líamos e achávamos a resposta no enunciado. Agora, dependerá da interpretação do próprio aluno”. O Ministério da Educação (MEC) vai cobrar quatro habilidades da língua moderna estrangeira: leitura e capacidade de obter informações diretas a partir dela; confrontar o vocabulário que aparecer no texto ao tema a que se refere; relacionar um texto, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social; e reconhecer a importância da diversidade cultural.

E esse quarteto é a principal pista do que virá pela frente, segundo professores, também debutantes nesta preparação. O número de questões a serem cobradas e o nível de dificuldade são incógnitas e permanecerão sem resposta até novembro, quando o exame será aplicado. Mas as perspectivas são positivas e a expectativa é não haver grandes diferenças em relação a alguns vestibulares. A opção pelo inglês ou espanhol ficou para trás, no ato da inscrição. Por isso, agora, só resta estudar para garantir boas notas.

A professora de espanhol Maria Carolina Argueso Machado diz que o segredo é desenvolver a habilidade de leitura no idioma escolhido para a prova, em todas as fontes possíveis, como jornais, livros, charges, tabelas, cartas e qualquer portador de texto que ajude o aluno a se habituar a vários gêneros. A mesma dica vale para o português. Com isso, o candidato poderá ampliar vocabulário e analisar a estrutura da língua. “Para ser bom leitor, o alunoprecisa ter conhecimento mínimo da língua. O ‘chutômetro’ não tem a menor condição. No caso do espanhol, é preciso cuidado, pois, aparentemente, é parecido com o português e, muitas vezes, gera a sensação de ser mais acessível, mas há uma série de armadilhas. Assim, a pessoa acha que está entendendo, mas não está”, alerta.


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