
Fonte: Zero Hora (RS)
FÁBIO SCHAFFNER
Brasília
À frente de um movimento que pretende tornar o ensino um compromisso de todos os candidatos na eleição de 2010, o presidente do Conselho Nacional de Educação, Antônio Carlos Caruso Ronca, diz que o Brasil está diante de uma oportunidade histórica. Segundo Ronca, em cinco anos, o número de idosos e crianças será maior do que a população economicamente ativa do país.
– Se não investirmos logo em Educação, não daremos um salto – diz Ronca.
Nos próximos dias, Ronca irá enviar aos candidatos à Presidência uma carta-compromisso redigida por 27 entidades da sociedade. No documento, constam metas como o aumento dos investimentos no setor para 10% do PIB e a universalização do atendimento em creches. Em entrevista a ZH, o professor da PUC de São Paulo lamenta que a Educação sempre tenha sido tratada como tema de segunda linha nas eleições.
ZH – Como surgiu a ideia da carta-compromisso?
Antônio Carlos Ronca – A sociedade precisava se manifestar em face do mais grave problema nacional: a Educação. Uma série de entidades se reuniu e decidiu fazer um movimento para que os futuros governantes garantam que a Educação vai ocupar um lugar central em seus governos.
ZH – A Educação virou tema de segunda linha nessas eleições?
Ronca – Avançamos muito nos últimos anos, mas ainda é pouco. A Educação sempre foi considerada tema de segunda linha, em todas as eleições. Queremos mudar isso.
ZH – A carta defende a elevação os investimentos em Educação de 4,7% do PIB para 10% do PIB. Isso é factível?
Ronca – A carta defende uma ampliação gradual, até alcançar 10%. No ano que vem, não será possível, mas se daqui a três, quatro anos, chegarmos a 7%, 7,5%, já está maravilhoso.
ZH – Isso pode ocorrer sem pressão da sociedade?
Ronca – Não acredito. Esse país depende muito da pressão da sociedade. Veja a mobilização que o Ficha Limpa precisou para ser votado.
ZH – O piso nacional para professores é de R$ 1.024, inferior à renda média nacional, e ainda assim não foi colocado em prática. Como convencer os governantes a adotar o piso?
Ronca – Na medida em que há uma lei, os governantes têm de obedecer. O Ministério Público, os sindicatos têm de denunciar. O mais grave é que algumas prefeituras e governos estaduais estão pagando o piso, mas tirando outras conquistas.
ZH – A carta sugere uma Lei de Responsabilidade Educacional. Tornou-se necessário punir os gestores?
Ronca – Precisamos de uma lei porque teremos um plano nacional, estadual e municipal de Educação. Então, é necessário uma responsabilização para que os governantes se comprometam a gastar o percentual orçamentário que a Constituição determina, ou seja, 18% na União e 25% nos Estados e municípios.
ZH – Que punições seriam?
Ronca – O Congresso terá de trabalhar para definir isso.
ZH – Onde está a principal carência do país?
Ronca – Trinta por cento de quem ingressa na 1ª série não conclui o ensino fundamental. No ensino médio, 50% dos jovens estão fora da Escola. Temos que ampliar o atendimento das crianças de quatro e cinco anos. Por último, precisamos dobrar o número de alunos no Ensino Superior.
´
É vergonhoso o que acontece em Nosso País! Como acreditar que políticos sem moral nenhuma como muitos dos que estão postulando cargos nesta eleição, venham a lutar por melhoras significativas na educação? Precisamos antes resgatar os valores! De que adianta ter educação num sistema político que "dá mais apoio aos delinquentes do que ao cidadão honesto e trabahlador?"