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20 de outubro de 2010



'A Educação precisa ser uma agenda urgente para garantir avanços ao País'

A afirmação é de Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos, no chat do EducaRede

 
'A Educação precisa ser uma agenda urgente para garantir avanços ao País'
 


Da Redação do Todos Pela Educação

“A Educação já se tornou uma agenda importante, mas ela precisa ser urgente para garantir os avanços necessários”, afirmou a diretora-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, em chat promovido pelo portal EducaRede nesta quarta-feira (20).

Durante o bate-papo, Priscila ainda falou sobre temas como as redes sociais na campanha eleitoral, a participação da sociedade na Educação, a valorização dos professores e sobre as políticas educacionais.

Leia abaixo os principais trechos do chat:
 

Moderador - O que é o movimento Todos pela Educação?
Priscila Cruz -
O Todos Pela Educação é um movimento da sociedade civil, de gestores públicos de Educação, da iniciativa privada e de especialistas. Nosso principal objetivo é ajudar na garantia do direito de todas as crianças e jovens a uma Educação de qualidade até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil. O País só será, de fato, independente, quando todas as crianças e jovens tiverem acesso à Educação de qualidade.


Internauta - Como é a campanha "Eu voto na Educação" nas redes sociais?
Priscila -
A campanha "Eu Voto na Educação" faz parte da mobilização "Eu, Você, Todos Pela Educação" e tem como objetivo chamar a atenção dos brasileiros para a necessidade de um ensino de qualidade para todas as crianças e jovens. Acessando o site www.euvotonaeducacao.org.br, com três cliques, o internauta registra que a Educação é sua prioridade. Podem participar da campanha todos os que possuem conta em pelo menos uma destas três redes sociais: Orkut, Twitter ou Facebook.


Intenauta - Como a campanha atende a ambos os públicos, internautas e aqueles que não têm acesso a internet, sem perder qualidade ou excluir alguns do espaço de participação social?
Priscila -
Temos diferentes estratégias. A campanha está presente tanto nas redes sociais como em jornais, revistas e na televisão. O mote é o mesmo. Colocar a Educação em pauta e revelar a importância de prestar atenção nas propostas dos candidatos sobre Educação. A Educação já é uma agenda importante, o que falta é torná-la urgente para garantir os avanços necessários.
 

Internauta - Você acha que a internet e as redes sociais têm ou tiveram papel importante nessas eleições?
Priscila -
A internet e as redes sociais estão cada vez mais presentes e com certeza tiveram participação importante, mas ainda sentimos falta de mobilizações mais consistentes na rede.
 

Internauta - Como as redes sociais podem ajudar a monitorar e cobrar qualidade na Educação?
Priscila -
Ainda vivemos um momento de descobrir as melhores formas de trabalhar as redes sociais. Fato é que esta é uma forma de incluir mais pessoas nesta causa e amplificar sua divulgação.
 

Internauta - Como avaliar a viabilidade das propostas dos candidatos?
Priscila -
A imprensa em geral tem avaliado a viabilidade destas propostas. Obviamente, muito do que é prometido é inviável, por isso, depois da eleição, a mobilização ainda é muito importante. Precisamos cobrar, avaliar e monitorar. É assim que a democracia é construída.
 

Internauta - Que importância tem a Educação entre as propostas dos candidatos? E para os eleitores? A sociedade brasileira está consciente da relevância do tema?
Priscila -
A Educação foi uma pauta importante nas eleições, mas foi tratada de forma superficial. Novamente, precisaremos estar atentos a agenda dos eleitos. Apesar de ter sido um tema com bastante espaço, as propostas não respondiam à grande questão: a garantia da qualidade na Educação.
 

Internauta - Qual dos dois candidatos à Presidência da República apresentou propostas para Educação que mais se assemelham às concepções do movimento Todos Pela Educação?
Priscila -
Os dois candidatos não aprofundaram muito suas propostas sobre o tema. O presidente eleito, seja ele quem for, precisa receber da sociedade uma pressão para apresentar propostas concretas e implementá-las de forma eficiente.


Internauta - Quando ouço os candidatos, a impressão que tenho é de que, na teoria, eles sabem o que tem que ser feito!
Priscila -
Os candidatos são orientados por pesquisas encomendadas e acabam dizendo o que o eleitor quer ouvir.
 

Internauta - O Todos pela Educação participou da Carta-Compromisso enviada aos candidatos?
Priscila -
Sim. Participamos como uma das 27 entidades proponentes da carta que foi entregue aos presidenciáveis na última sexta feira (15).
 

Internauta - Como garantir a mobilização depois das eleições?
Priscila -
O Todos Pela Educação é um movimento permanente que ajudará a sociedade nesta mobilização. O "Eu Voto na Educação" faz parte da mobilização chamada "Eu Você Todos Pela Educação", que tem como objetivo sensibilizar todo o País para a importância da Educação como um direito e promover o engajamento dos brasileiros na conquista de uma Educação Básica de qualidade para todos. Este trabalho é realizado por meio de ações de articulação político-institucional e de comunicação planejadas para o próximo quadriênio (2010-2014).
 

Internauta - Esta campanha pretende orientar o cidadão nas tarefas de cobrar, avaliar e monitorar os candidatos eleitos?
Priscila -
Esta é uma ação que faz parte de uma estratégia maior, que inclui inclusive o monitoramento dos resultados da Educação, que é feito pelo Todos Pela Educação (disponível no site http://www.todospelaeducacao.org.br/educacao-no-brasil). Além disso, temos diversas ações junto à imprensa, para ajudar a garantir a qualificação da cobertura da mídia na área de Educação, por exemplo.


Internauta - Com a aprovação continuada é bem fácil cumprir a meta um (Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola). Como monitorar e cobrar dos governantes a qualidade na Educação?
Priscila -
O nome da política é progressão continuada e o grande problema é sua implementação, que faz com que ela se torne aprovação automática. O direito de aprender deve ser o foco de todas as políticas educacionais. Originalmente, esta política prevê o reforço ou recuperação daqueles que têm tempos diferentes de aprendizagem. O Brasil é um dos recordistas mundiais de repetência, o que é ruim não só para o atraso do aluno, mas também na evasão escolar. Este é um problema que precisamos resolver. Precisamos ter em mente que todos têm o direito de aprender. Aprendendo ele passa de ano!
 

Internauta - A escola na qual leciono tem parceria com uma instituição privada e está dando bons resultados, por isso acredito que se os governantes investirem mais na Educação, ou tiverem a Educação como fator primordial no seu governo, haverá melhoria na qualidade de ensino na escola pública.
Priscila -
O investimento social privado também tem esta função, de avaliar novas formas de gestão e políticas educacionais para que os governos possam dar escala a estas boas experiências.
 

Internauta - Quais as ações que, na sua opinião, deveriam ser implementadas imediatamente para melhorar a qualidade na Educação de nossas crianças e jovens?
Priscila -
O movimento defende algumas políticas urgentes. A primeira é a valorização dos professores, pois sem professores qualificados não teremos qualidade na Educação. Também defendemos maior responsabilidade dos gestores em relação aos resultados de aprendizagem dos alunos e por fim um currículo básico que explicite as expectativas de aprendizagem para cada ciclo.
 

Internauta - Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) não cumprem a função de “explicitar as expectativas de aprendizagem para cada ciclo”?
Priscila -
Os PCNs são parâmetros, mas eles não deixam claro o que é esperado em termos de aprendizagem para cada ciclo do ensino. Ainda precisamos avançar neste tema.
 

Internauta - O Todos Pela Educação visa alguma forma de reconhecimento que não seja a salarial?
Priscila -
Certamente. Existem três formas de valorização [do professor] que não passam necessariamente pelo salário, são elas: uma formação que prepare os professores para cumprir sua missão; uma política de carreira atraente e finalmente a valorização social. Precisamos resgatar o reconhecimento deste profissional junto à sociedade brasileira.
 

Internauta - O que deve estar contemplado na formação do professor para ele cumpra sua função social?
Priscila -
Existem dois fatores de impacto na qualidade do professor. O primeiro é conhecer o conteúdo sobre o qual ele leciona; e o segundo são as técnicas de gerenciamento de aula - a didática. É importante ter uma formação com foco na sala de aula.
 

Internauta - Você acha que parcerias entre universidades e escolas podem fazer com que o conhecimento atualmente produzido na academia chegue mais facilmente aos professores?
Priscila -
Certamente. Algo que ainda precisa avançar muito no País é a troca entre a produção de conhecimento gerado nas universidades e as escolas que promovem a Educação dos nossos alunos no dia-a-dia.
 

Internauta - No cenário da cultura digital, tanto os conteúdos quanto as formas didáticas se renovam muito rapidamente. Não deveríamos estar atentos para essas questões nas licenciaturas?
Priscila -
Sem dúvida! Precisamos urgente rever os currículos das faculdades de Educação e licenciaturas.
 

Internauta - A qualificação dos professores é muito importante, mas não acha que devemos também trabalhar por sua valorização como profissional?
Priscila -
É preciso qualificar com formação adequada e também atrair os jovens com uma carreira atraente.
 

Internauta - Como os novos profissionais, recém formados, podem colaborar? Afinal saem da faculdade com uma responsabilidade muito grande!
Priscila -
Não existe profissão mais importante do que ser professor. Os novos profissionais precisam continuar sua qualificação sempre levando em conta a aprendizagem de todos os alunos. Afinal, todos têm o direito de aprender.
 

Internauta - Como os pais dos estudantes podem colaborar para melhorar a qualidade da Educação?
Priscila -
Os pais podem ajudar sendo parceiros da escola, da direção e dos professores. Esta troca é muito importante. Além disso, é fundamental estar sempre informado sobre o desempenho da escola nas avaliações e o desempenho do seu filho na escola.


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