
Da Redação do Todos Pela Educação
“A Educação já se tornou uma agenda importante, mas ela precisa ser urgente para garantir os avanços necessários”, afirmou a diretora-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, em chat promovido pelo portal EducaRede nesta quarta-feira (20).
Durante o bate-papo, Priscila ainda falou sobre temas como as redes sociais na campanha eleitoral, a participação da sociedade na Educação, a valorização dos professores e sobre as políticas educacionais.
Leia abaixo os principais trechos do chat:
Moderador - O que é o movimento Todos pela Educação?
Priscila Cruz - O Todos Pela Educação é um movimento da sociedade civil, de gestores públicos de Educação, da iniciativa privada e de especialistas. Nosso principal objetivo é ajudar na garantia do direito de todas as crianças e jovens a uma Educação de qualidade até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil. O País só será, de fato, independente, quando todas as crianças e jovens tiverem acesso à Educação de qualidade.
Internauta - Como é a campanha "Eu voto na Educação" nas redes sociais?
Priscila - A campanha "Eu Voto na Educação" faz parte da mobilização "Eu, Você, Todos Pela Educação" e tem como objetivo chamar a atenção dos brasileiros para a necessidade de um ensino de qualidade para todas as crianças e jovens. Acessando o site www.euvotonaeducacao.org.br, com três cliques, o internauta registra que a Educação é sua prioridade. Podem participar da campanha todos os que possuem conta em pelo menos uma destas três redes sociais: Orkut, Twitter ou Facebook.
Intenauta - Como a campanha atende a ambos os públicos, internautas e aqueles que não têm acesso a internet, sem perder qualidade ou excluir alguns do espaço de participação social?
Priscila - Temos diferentes estratégias. A campanha está presente tanto nas redes sociais como em jornais, revistas e na televisão. O mote é o mesmo. Colocar a Educação em pauta e revelar a importância de prestar atenção nas propostas dos candidatos sobre Educação. A Educação já é uma agenda importante, o que falta é torná-la urgente para garantir os avanços necessários.
Internauta - Você acha que a internet e as redes sociais têm ou tiveram papel importante nessas eleições?
Priscila - A internet e as redes sociais estão cada vez mais presentes e com certeza tiveram participação importante, mas ainda sentimos falta de mobilizações mais consistentes na rede.
Internauta - Como as redes sociais podem ajudar a monitorar e cobrar qualidade na Educação?
Priscila - Ainda vivemos um momento de descobrir as melhores formas de trabalhar as redes sociais. Fato é que esta é uma forma de incluir mais pessoas nesta causa e amplificar sua divulgação.
Internauta - Como avaliar a viabilidade das propostas dos candidatos?
Priscila - A imprensa em geral tem avaliado a viabilidade destas propostas. Obviamente, muito do que é prometido é inviável, por isso, depois da eleição, a mobilização ainda é muito importante. Precisamos cobrar, avaliar e monitorar. É assim que a democracia é construída.
Internauta - Que importância tem a Educação entre as propostas dos candidatos? E para os eleitores? A sociedade brasileira está consciente da relevância do tema?
Priscila - A Educação foi uma pauta importante nas eleições, mas foi tratada de forma superficial. Novamente, precisaremos estar atentos a agenda dos eleitos. Apesar de ter sido um tema com bastante espaço, as propostas não respondiam à grande questão: a garantia da qualidade na Educação.
Internauta - Qual dos dois candidatos à Presidência da República apresentou propostas para Educação que mais se assemelham às concepções do movimento Todos Pela Educação?
Priscila - Os dois candidatos não aprofundaram muito suas propostas sobre o tema. O presidente eleito, seja ele quem for, precisa receber da sociedade uma pressão para apresentar propostas concretas e implementá-las de forma eficiente.
Internauta - Quando ouço os candidatos, a impressão que tenho é de que, na teoria, eles sabem o que tem que ser feito!
Priscila - Os candidatos são orientados por pesquisas encomendadas e acabam dizendo o que o eleitor quer ouvir.
Internauta - O Todos pela Educação participou da Carta-Compromisso enviada aos candidatos?
Priscila - Sim. Participamos como uma das 27 entidades proponentes da carta que foi entregue aos presidenciáveis na última sexta feira (15).
Internauta - Como garantir a mobilização depois das eleições?
Priscila - O Todos Pela Educação é um movimento permanente que ajudará a sociedade nesta mobilização. O "Eu Voto na Educação" faz parte da mobilização chamada "Eu Você Todos Pela Educação", que tem como objetivo sensibilizar todo o País para a importância da Educação como um direito e promover o engajamento dos brasileiros na conquista de uma Educação Básica de qualidade para todos. Este trabalho é realizado por meio de ações de articulação político-institucional e de comunicação planejadas para o próximo quadriênio (2010-2014).
Internauta - Esta campanha pretende orientar o cidadão nas tarefas de cobrar, avaliar e monitorar os candidatos eleitos?
Priscila - Esta é uma ação que faz parte de uma estratégia maior, que inclui inclusive o monitoramento dos resultados da Educação, que é feito pelo Todos Pela Educação (disponível no site http://www.todospelaeducacao.org.br/educacao-no-brasil). Além disso, temos diversas ações junto à imprensa, para ajudar a garantir a qualificação da cobertura da mídia na área de Educação, por exemplo.
Internauta - Com a aprovação continuada é bem fácil cumprir a meta um (Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola). Como monitorar e cobrar dos governantes a qualidade na Educação?
Priscila - O nome da política é progressão continuada e o grande problema é sua implementação, que faz com que ela se torne aprovação automática. O direito de aprender deve ser o foco de todas as políticas educacionais. Originalmente, esta política prevê o reforço ou recuperação daqueles que têm tempos diferentes de aprendizagem. O Brasil é um dos recordistas mundiais de repetência, o que é ruim não só para o atraso do aluno, mas também na evasão escolar. Este é um problema que precisamos resolver. Precisamos ter em mente que todos têm o direito de aprender. Aprendendo ele passa de ano!
Internauta - A escola na qual leciono tem parceria com uma instituição privada e está dando bons resultados, por isso acredito que se os governantes investirem mais na Educação, ou tiverem a Educação como fator primordial no seu governo, haverá melhoria na qualidade de ensino na escola pública.
Priscila - O investimento social privado também tem esta função, de avaliar novas formas de gestão e políticas educacionais para que os governos possam dar escala a estas boas experiências.
Internauta - Quais as ações que, na sua opinião, deveriam ser implementadas imediatamente para melhorar a qualidade na Educação de nossas crianças e jovens?
Priscila - O movimento defende algumas políticas urgentes. A primeira é a valorização dos professores, pois sem professores qualificados não teremos qualidade na Educação. Também defendemos maior responsabilidade dos gestores em relação aos resultados de aprendizagem dos alunos e por fim um currículo básico que explicite as expectativas de aprendizagem para cada ciclo.
Internauta - Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) não cumprem a função de “explicitar as expectativas de aprendizagem para cada ciclo”?
Priscila - Os PCNs são parâmetros, mas eles não deixam claro o que é esperado em termos de aprendizagem para cada ciclo do ensino. Ainda precisamos avançar neste tema.
Internauta - O Todos Pela Educação visa alguma forma de reconhecimento que não seja a salarial?
Priscila - Certamente. Existem três formas de valorização [do professor] que não passam necessariamente pelo salário, são elas: uma formação que prepare os professores para cumprir sua missão; uma política de carreira atraente e finalmente a valorização social. Precisamos resgatar o reconhecimento deste profissional junto à sociedade brasileira.
Internauta - O que deve estar contemplado na formação do professor para ele cumpra sua função social?
Priscila - Existem dois fatores de impacto na qualidade do professor. O primeiro é conhecer o conteúdo sobre o qual ele leciona; e o segundo são as técnicas de gerenciamento de aula - a didática. É importante ter uma formação com foco na sala de aula.
Internauta - Você acha que parcerias entre universidades e escolas podem fazer com que o conhecimento atualmente produzido na academia chegue mais facilmente aos professores?
Priscila - Certamente. Algo que ainda precisa avançar muito no País é a troca entre a produção de conhecimento gerado nas universidades e as escolas que promovem a Educação dos nossos alunos no dia-a-dia.
Internauta - No cenário da cultura digital, tanto os conteúdos quanto as formas didáticas se renovam muito rapidamente. Não deveríamos estar atentos para essas questões nas licenciaturas?
Priscila - Sem dúvida! Precisamos urgente rever os currículos das faculdades de Educação e licenciaturas.
Internauta - A qualificação dos professores é muito importante, mas não acha que devemos também trabalhar por sua valorização como profissional?
Priscila - É preciso qualificar com formação adequada e também atrair os jovens com uma carreira atraente.
Internauta - Como os novos profissionais, recém formados, podem colaborar? Afinal saem da faculdade com uma responsabilidade muito grande!
Priscila - Não existe profissão mais importante do que ser professor. Os novos profissionais precisam continuar sua qualificação sempre levando em conta a aprendizagem de todos os alunos. Afinal, todos têm o direito de aprender.
Internauta - Como os pais dos estudantes podem colaborar para melhorar a qualidade da Educação?
Priscila - Os pais podem ajudar sendo parceiros da escola, da direção e dos professores. Esta troca é muito importante. Além disso, é fundamental estar sempre informado sobre o desempenho da escola nas avaliações e o desempenho do seu filho na escola.
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