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15 de setembro de 2011



Avaliação externa é instrumento para garantir a equidade na Educação

Essa é a forma de verificar se o direito de aprender está garantido a todos

 
Avaliação externa é instrumento para garantir a equidade na Educação
 
Alexandre Ondir/TPE



Da Redação do Todos Pela Educação, em Brasília

“A avaliação externa é um importante elemento para a equidade. Existe uma dimensão democrática e equitativa da avaliação”, afirmou o presidente do Conselho Assessor das Metas 2021 da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), André Lázaro. Mesmo assim, ela não é um consenso no País, de acordo com pesquisadores, gestores e educadores que participaram da sessão “Avaliação e seus usos na gestão educacional”, do Congresso Internacional “Educação: uma Agenda Urgente”, na manhã desta quinta-feira (15).

Veja como foi o Congresso Internacional "Educação: uma Agenda Urgente"

“Tem muita gente que não vê a avaliação com tanta tranquilidade”, disse Ana Lucia Lima, diretora-executiva do Instituto Paulo Montenegro. “Temos que aproximar as duas posições”, acrescentou.

Um dos motivos da desconfiança são as divulgações de rankings de escolas, construídos a partir dos resultados de avaliações externas. Malvina Tuttman, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), é uma das que critica esse tipo de lista. “Não gosto dos rankings, porque eles acabam fortalecendo alguma coisa que não é verdade.”

Publicidade aos dados
Na opinião de Malvina, as avaliações não podem ser usadas para estigmatizar os estudantes e escolas. “Não existe ser humano que possa ser qualificado por uma prova. Aluno ruim não existe”, afirmou.

Ela também conclamou os pesquisadores a trabalharem com os dados da Educação divulgados pelo Inep: “Temos que olhar e, efetivamente, enxergar e deixar de responsabilizar e de ficar de braços cruzados. Que País é esse que queremos? Vamos avaliar, diagnosticar. Nós já temos muitos dados. Não precisamos ficar esperando os microdados [as informações mais detalhadas das avaliações]. Estão parados porque não têm os microdados? O que estamos fazendo com eles? Vamos usá-los. Podem não ser os mais atuais, mas não são tão diferentes de um ano para o outro. Vamos aprimorar o que temos”.

Avaliação como direito
“A avaliação deve ser entendida como direito dos alunos e dever do estado. Cabe ao estado verificar se cada criança está tendo o direito garantido”, argumentou Edna Borges, coordenadora do Ensino Fundamental da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC). Edna lembrou também que o currículo deve pautar as avaliações, e não o inverso. “Queremos reverter isso. Por isso, discutir as expectativas de aprendizagem.”

A coordenadora-geral-executiva da ONG Parceiros da Educação, Maria Helena Guimarães Castro, concorda com a ênfase a ser dada no currículo. Para ela, é importante também dar uma atenção especial à informação dos resultados das avaliações.

Novas habilidades a serem medidas
Na opinião do chefe da Unidade de Educação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Marcelo Cabrol, a avaliação deve ser utilizada para entender melhor o que há para ensinar e aprender. “As competências medidas nos testes atuais não são as únicas relevantes. Hoje, há uma necessidade de reforçar o desenvolvimento das habilidades cidadãs, que são a chave para pensar a escola do século XXI”, disse.

Sobre o Congresso
O movimento Todos Pela Educação, em parceria com instituições nacionais e internacionais, promove, até sexta-feira (16), o Congresso Internacional “Educação: uma Agenda Urgente”.

O encontro pretende abordar diferentes temas fundamentais para acelerar a melhoria do aprendizado dos alunos e da Educação Básica no País, como: carreira docente, formação inicial do professor, regime de colaboração entre os entes federados, uso das avaliações nas práticas de sala de aula e na gestão educacional, definição das expectativas de aprendizagem, Educação integral, equidade e inclusão, e justiça pela qualidade da Educação. No último dia, em uma sessão especial, o evento congregará movimentos de 13 países da América Latina que, assim como o Todos Pela Educação, se articulam para melhorar a Educação em seus países.

O Congresso Internacional “Educação: uma Agenda Urgente” conta com o apoio institucional do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e do Grupo de Institutos Fundações e Empresas (Gife); com o patrocínio do BID, Fundação Educar DPaschoal, Fundação Itaú Social, Instituto Gerdau, do Itaú BBA e do Instituto Natura; e com o apoio da Agência Tudo, Canal Futura, CNE, Confederação Nacional da Indústria (CNI) e DM9DDB.


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