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25 de agosto de 2011



Prova ABC traz dados inéditos sobre a alfabetização das crianças no Brasil

Resultados mostram que é preciso grande esforço para combater as desigualdades educacionais desde os primeiros anos do Ensino Fundamental

 
Prova ABC traz dados inéditos sobre a alfabetização das crianças no Brasil
 


Os resultados da Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização), avaliação inédita da qualidade da alfabetização das crianças que concluíram o 3º ano (2ª série), revelam que 56,1% dos alunos aprenderam o que era esperado em Leitura para este nível do ensino, e 42,8% em Matemática, com grande variação entre as regiões do País e as redes de ensino (pública e privada).

Baixe aqui a apresentação com os dados detalhados

A avaliação, uma parceria do Todos Pela Educação com o Instituto Paulo Montenegro /IBOPE, a Fundação Cesgranrio e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), foi aplicada no primeiro semestre de 2011 a cerca de 6 mil alunos de escolas municipais, estaduais e particulares de todas as capitais do País.

“Esta iniciativa é importante pelos resultados que expõe, mas também por sua contribuição para a construção de uma escala de proficiência em leitura, escrita e matemática para os primeiros anos do Ensino Fundamental”, afirma Priscila Cruz, diretora executiva do Todos Pela Educação.

De acordo com Ana Lucia Lima, diretora-executiva do Instituto Paulo Montenegro, “os resultados da Prova ABC também ressaltam a necessidade de se combater as desigualdades de oferta entre as regiões e as redes de ensino, que já se apresentam críticas neste final do ciclo de alfabetização”.

“A Prova ABC mostra qual o estágio do processo de alfabetização no país e desafia o Ministério da Educação a investir mais ainda nos três primeiros anos do ensino fundamental com o objetivo de cumprir a meta do Plano Nacional de Educação de que todas as crianças saibam ler e escrever até os oito anos de idade. Para tanto, o ministério tem orientado os sistemas educacionais para que esse período seja considerado o ciclo da alfabetização”, afirma Malvina Tuttman, presidente do Inep.

Nível 175 na escala Saeb
“Os resultados são apresentados nas escalas Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) de Leitura e Matemática, e consideramos como tendo aprendido o que era esperado para esta série (3º ano ou 2ª série) a partir de 175 pontos nas duas escalas, tanto para Leitura quanto para Matemática”, explica Nilma Fontanive, consultora da Cesgranrio.

Em Leitura, ao atingir pelo menos 175 pontos, os alunos, entre outras tarefas, conseguem identificar temas de uma narrativa, localizar informações explícitas, identificar características de personagens em textos como lendas, contos, fábulas e histórias em quadrinhos e perceber relações de causa e efeito contidas nestas narrativas.

Em Matemática, ao atingir pelo menos 175 pontos, os alunos têm, por exemplo, domínio da adição e subtração e conseguem resolver problemas envolvendo, por exemplo, notas e moedas.

Resultados de Leitura
O desempenho médio dos alunos que fizeram a prova foi de 185,8 pontos na escala, com 56,1% do total das crianças aprendendo o que era esperado para esta etapa do ensino em Leitura.

Este número varia de acordo com a região, tendo as Regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste apresentado desempenho acima da média nacional (185,8) com, respectivamente, 197,9; 193,6 e 196,5 pontos; e, abaixo da média nacional, as Regiões Norte e Nordeste com, respectivamente, 172,8 e 167,4 pontos.

Os resultados também variam em relação à rede, pública ou privada. Enquanto os alunos da rede privada atingiram, na média nacional, 216,7 pontos em Leitura, os da rede pública ficaram em 175,8 pontos.

Confira na tabela abaixo todos os resultados de Leitura:

Tabela 1. Média de pontos em Leitura e percentual de alunos que aprenderam o esperado para o 3º ano (2ª série) por região e por rede de ensino

 

 

Brasil e Regiões

Rede de Ensino

Média

Percentual de alunos com desempenho esperado para o 3º ano (2ª série)

Brasil

Total

185,8

56,1%

Brasil

Pública

175,8

48,6%

Brasil

Particular

216,7

79,0%

Norte

Total

172,8

43,6%

Norte

Pública

166,7

39,4%

Norte

Particular

210,6

69,4%

Nordeste

Total

167,4

42,5%

Nordeste

Pública

159,7

36,5%

Nordeste

Particular

191,1

61,1%

Sudeste

Total

193,6

62,8%

Sudeste

Pública

182,0

54,4%

Sudeste

Particular

224,2

85,1%

Sul

Total

197,9

64,6%

Sul

Pública

186,8

56,5%

Sul

Particular

228,4

86,8%

Centro-Oeste

Total

196,5

64,1%

Centro-Oeste

Pública

186,6

56,8%

Centro-Oeste

Particular

226,2

85,5%

 

Resultados de Matemática
Em Matemática, a média nacional ficou em 171,1 pontos, com 42,8% do total das crianças tendo aprendido o que era esperado para esta etapa do ensino em Matemática.

O cenário em relação ao desempenho das regiões em Leitura se repetiu na área de Matemática, portanto, acima da média nacional, ficaram as Regiões Sul (185,6), Sudeste (179,1) e Centro Oeste (176,5), e abaixo dos 171,1 pontos, as Regiões Nordeste (158,2) e Norte (152,6).

Assim como em Leitura, os resultados em Matemática também variam entre os alunos das escolas públicas e privadas. Enquanto a média nacional dos alunos da rede privada foi de 211,2 pontos, a da rede pública ficou em 158,0 pontos. Fato importante de ser observado, de acordo com dados da Tabela 4, é que no caso da Matemática, em relação à rede pública, a média de nenhuma das regiões atingiu os 175 pontos.

“Estes dados apontam que os baixos desempenhos em matemática apresentados pelos alunos brasileiros ao final do Ensino Fundamental, e posteriormente do Ensino Médio, começam já a serem traçados nos primeiros anos da vida escolar. Fato que nos coloca diante da necessidade de promover políticas públicas de incentivo a aprendizagem de matemática desde a alfabetização”, afirma Ruben Klein, consultor da Cesgranrio. 

Tabela 2. Média de pontos em Matemática e percentual de alunos que aprenderam o esperado para o 3º ano (2ª série) por Região e por Rede de Ensino
 

 

Brasil e Regiões

Rede de Ensino

Média

Percentual de alunos com desempenho esperado para o 3º ano (2ª série)

Brasil

Total

171,1

42,8%

Brasil

Pública

158,0

32,6%

Brasil

Particular

211,2

74,3%

Norte

Total

152,6

28,3%

Norte

Pública

145,4

21,9%

Norte

Particular

196,7

67,7%

Nordeste

Total

158,2

32,4%

Nordeste

Pública

148,9

25,2%

Nordeste

Particular

186,9

54,7%

Sudeste

Total

179,1

47,9%

Sudeste

Pública

161,9

35,6%

Sudeste

Particular

224,2

80,6%

Sul

Total

185,6

55,7%

Sul

Pública

171,3

44,5%

Sul

Particular

224,9

86,3%

Centro-Oeste

Total

176,5

50,3%

Centro-Oeste

Pública

167,1

40,6%

Centro-Oeste

Particular

204,2

78,9%

 

Resultados de Escrita
Todos os alunos que participaram da Prova ABC fizeram também uma redação. As redações foram avaliadas em relação a três competências: adequação ao tema e ao gênero; coesão e coerência e registro (grafia das palavras, adequação às normas gramaticais, segmentação de palavras e pontuação). De uma escala que vai de 0 a 100 pontos, o desempenho esperado dos alunos de 3º ano/2ª série é de pelo menos 75 pontos.

Um aluno que atinge os 75 pontos apresenta bom desempenho para as três competências, ou ao menos desempenho razoável para uma delas e bom ou muito bom nas demais. Isto significa que estes alunos que ficaram acima dos 75 pontos são capazes de desenvolver bem o tema e os elementos organizacionais do gênero solicitado, organizar bem as partes do texto, demonstrando bom domínio dos recursos coesivos, e apresentam bom domínio no registro escrito, referente à norma gramatical, com pontuais desvios.

A média nacional ficou em 68,1 pontos, sendo a média das escolas públicas de 62,3 pontos e a das privadas 86,2 pontos. Os dados também variam entre as regiões e podem ser conferidos na tabela abaixo.

Tabela 3. Média de pontos em Escrita e percentual de alunos que aprenderam o esperado para o 3º ano (2ª série) por Região e por Rede de Ensino
 

 

Brasil e Regiões

Rede de Ensino

Média

Percentual de alunos com desempenho esperado para o 3º ano (2ª série)

Brasil

Total

68,1

53,4%

Brasil

Pública

62,3

43,9%

Brasil

Particular

86,2

82,4%

Norte

Total

58,9

39,8%

Norte

Pública

55,4

35,0%

Norte

Particular

80,1

69,3%

Nordeste

Total

50,2

30,1%

Nordeste

Pública

44,5

21,3%

Nordeste

Particular

67,7

57,5%

Sudeste

Total

77,2

65,8%

Sudeste

Pública

69,9

53,8%

Sudeste

Particular

96,7

97,7%

Sul

Total

74,5

61,1%

Sul

Pública

69,8

53,6%

Sul

Particular

87,5

81,7%

Centro-Oeste

Total

73,9

60,6%

Centro-Oeste

Pública

71,1

55,0%

Centro-Oeste

Particular

82,5

77,3%

 

Avaliação do Inep
De acordo com o Inep, os resultados apurados pela Prova ABC e também das avaliações realizadas pelo próprio instituto, revelam que as crianças estão melhores em leitura e escrita do que em matemática. “Detectamos nos resultados sobre leitura e escrita reflexos do programa Provinha Brasil de Língua Portuguesa, desenvolvido pelo MEC e Inep, que é realizado pelas escolas desde 2008. O programa já foi ampliado e, no 2º semestre de 2011, realizamos a primeira Provinha Brasil de Matemática”, afirma Malvina.

Segundo ela, os jogos de alfabetização e as coleções de literatura infantil do Programa Nacional de Biblioteca Escolar, distribuídos para todas as escolas públicas que atendem alunos dos anos iniciais do ensino fundamental de nove anos, são parte das ações que objetivam aprimorar a qualidade da educação das crianças.

“O MEC continuará a desenvolver políticas públicas na formação docente, como o Pro-Letramento em Língua Portuguesa e Matemática, na produção de jogos de alfabetização e matemática, elaboração de livros didáticos destinados ao ciclo da alfabetização, em programas de leitura, elaboração de livros didáticos e no sistema de avaliação da educação básica para o fortalecimento da alfabetização”, completa Malvina.

Metodologia
A Prova ABC foi aplicada nos primeiros meses do ano letivo de 2011 a uma amostra probabilística, selecionada por Dalton Andrade, de 6 mil alunos de turmas de 4º ano (3ª série), entendendo que nesta fase estariam consolidadas as aprendizagens do ano anterior. A seleção dos alunos levou em conta a proporção das escolas de cada rede em cada uma das capitais de todas as regiões do País, no total, 250 escolas participaram.

Apenas uma turma sorteada de 4º ano (3ª série) de cada uma das escolas selecionadas participou da Prova ABC. Todas as escolas sorteadas participaram voluntariamente da prova, com a aplicação realizada por um aplicador externo.

Cada criança respondeu a 20 itens (questões de múltipla escolha) de leitura ou de matemática - o aluno fez testes de apenas uma das duas áreas. Além disso, todas elas escreveram uma breve redação, a partir de um tema único.

A Fundação Cesgranrio foi responsável pela elaboração das provas, assim como por sua correção, análises e a colocação dos resultados nas escalas Saeb, com a colaboração do Inep na definição do plano amostral e contribuições do Instituto Paulo Montenegro, responsável pelo Indicador de Alfabetismo Funcional da população brasileira. A aplicação da prova foi feita pelo IBOPE. 

Os dados da Prova ABC têm como abrangência geográfica o Brasil e as regiões, ou seja, são representativos dessas localidades e não de estados ou municípios.
 

 


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