Volta às aulas para alunos do 3º ano

14 de junho de 2012
A Secretaria de Educação do estado anunciou, ontem à tarde, estar preparando um pacote de medidas que incluem aulas de reforço focadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e vestibular

Fonte: Tribuna da Bahia (BA)




Os Alunos do 3º ano do Ensino médio da rede estadual vão poder retornar às salas de aula, apesar da greve. A Secretaria de Educação do Estado anunciou, ontem à tarde, estar preparando um pacote de medidas que incluem aulas de reforço focadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e vestibular.

Em entrevista à uma emissora de rádio de Salvador, o Secretário Osvaldo Barreto adiantou que o órgão está finalizando uma série de ações que serão postas em prática para que os estudantes do 3º ano não sejam mais prejudicados pela paralisação e que estas serão divulgadas até no máximo o início da próxima semana. Entretanto, não informou como, nem quando acontecerá o retorno dos estudantes. Conforme a legislação, o estado é obrigado a cumprir, no mínimo, 800 horas de aula distribuídas em 200 dias. 

Ao longo do dia de ontem o clima na Assembleia Legislativa do Estado, onde os grevistas estão alojados, ainda não tinha sido totalmente acalmado, depois da cena de invasão do prédio da Secretaria, também situada no Centro Administrativo da Bahia (CAB), ocorrida na terça-feira. 

Pela manhã, depois de mais uma assembleia da categoria, os Professores decidiram continuar com a greve. Em seguida, os Docentes realizaram uma passeata entre a Assembleia Legislativa e a Secretaria de Educação entrando no prédio e lá permanecendo por cerca de meia hora cantando canções de protesto. 

Na próxima terça-feira os mestres da rede estadual de Ensino realizarão um novo encontro de avaliação do movimento. Eles pleiteiam o pagamento do aumento de 22% ao longo deste ano, válido para todos os níveis, inclusive para aposentados e probatórios. Enquanto um acordo entre as partes não acontece, 732 mil estudantes continuam fora das salas de aula. Porém, pelo levantamento diário feito pela secretaria, das 1.411 Escolas em todo o estado, cerca de 50% estão funcionando normalmente.

A greve dos Professores iniciada em 11 de abril, sofreu um revés nas últimas 48 horas, com o ministro Ari Pargendler, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspendendo a liminar concedida pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ) favorável ao pagamento dos salários dos Professores em greve. 

Uma suposta declaração dada à Rádio Sociedade pelo presidente da casa, deputado Marcelo Nilo, fez os Professores acreditarem que eles seriam retirados do local à força pela polícia. Somado ao corte do ar condicionado e do sinal de TV, os grevistas, instalados na área externa do plenário, esperavam o pior. Nilo, no entanto, negou a disposição em retirá-los, alegando que tudo não passou de um mal entendido.

“Nem passou pela minha cabeça tirar os Professores da assembleia, o que disse foi outra coisa completamente diferente”, explicou Nilo. Segundo o deputado ele estava respondendo sobre o fato de que vem recebendo denúncias de agressão verbal e até físicas de alguns parlamentares, cometidas por Professores. 

“É uma situação que não posso deixar que ocorra, mas fui perguntado se as agressões continuarem ou até piorarem, o que eu faria. Eu disse que deveria retirá-los, o que seria demandado à polícia. Mas tenho certeza que isso não irá ocorrer”. Imposição de limites aos grevistas Nilo informou ainda que terá uma reunião com os Professores para discutir a questão, o que foi confirmado pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia (APLB), Rui Oliveira. “Sim, a reunião será hoje (ontem) à tarde, e temos certeza que tudo será resolvido”, disse.

Quanto ao corte do ar-condicionado e do sinal de TV, Marcelo Nilo, confirmou que partiu de uma ordem sua, mas que a decisão não está totalmente ligada às supostas agressões.

“O ar-condicionado foi por uma questão técnica, ele está sendo usado por mais de 60 dias, ininterruptamente, o que nos trouxe uma preocupação em relação à segurança do equipamento. Quanto ao sinal de TV, esse sim, pode ser colocado como uma advertência para que o espaço que foi a eles cedido seja usado de forma ordeira”, disse. 

Segundo Nilo, a invasão da Secretaria de Educação, ocorrida na última terça-feira, lhe alertou para a necessidade de se impor limites ao movimento. “São Educadores, tenho certeza que tudo isso pode ser conversado e solucionado da melhor maneira possível”, acrescentou. O deputado informou ainda que os serviços que foram interrompidos serão restabelecidos após a reunião com o comando de greve. Invasão a sede da SEC Segundo o chefe de gabinete da Secretaria de Educação do Estado da Bahia, Paulo Pontes, a invasão dos Professores grevistas não chegou a acarretar danos materiais no prédio, nem físicos a nenhum dos funcionários. Pontes, no entanto, relata que foi um momento tenso e que causou medo a todos que estavam no local.

“Quando eles entraram, nos trancamos dentro das salas. Eram cerca de 60 pessoas. Eles passavam gritando e batendo nas portas, por vezes de maneira agressiva. Mas, pela forma que agiram, não acredito que esse grupo represente a categoria. A invasão durou cerca de meia hora e depois eles desceram e se concentraram na porta da secretaria”, relatou Pontes.

Os grevistas alegam que não ocorreu nenhum ato de violência durante a invasão. “Só queríamos conversar com o secretário Osvaldo Barreto Filho. O fato é que estamos cansados do governo ficar negociando à distância. Queremos que eles sentem conosco e nos escutem, por isso invadimos”, declarou Anderson Luis Silva, um dos integrantes do comando de greve.

Quanto à suposta falta de diálogo por parte do secretário e do governador do estado, alegada pelos grevistas, Paulo Pontes disse ser um exigência infundada. “Eles não podem escolher o interlocutor do governo. Além disso, não existe nenhum pedido formal de audiência com o secretário, o que seria necessário”, explicou o chefe de gabinete.

A reação da APLB à decisão do STJ, foi imediata. “Vamos fazer a mesma coisa que o estado fez, vamos entrar na justiça e vamos conseguir reaver os salários. 

O problema é que o estado não respeita decisões judiciais. No caso da liminar que nos dava direito ao pagamento, o governo deveria ter atendido imediatamente e não o fizeram”, informou Rui Oliveira, presidente da instituição. Dissidência – Outro suposto motivo de tensão no movimento foi relatado pela Tribuna na segunda-feira e dava conta que durante a assembleia em que os Professores decidiram continuar em greve, e que precedeu a invasão da Secretaria de Educação, houve uma forte discussão que denotaria uma dissidência no movimento. 

Um grupo de Professores estaria disposto a voltar às salas de aula enquanto as negociações continuassem. Contudo, a celeuma foi negada pelo presidente da APLB, Rui Oliveira. 


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