Prova Brasil inclui ciências

24 de fevereiro de 2013
Exame se aproximará ainda mais do modelo adotado pelo Programa Internacional de Avaliação (Pisa)

Fonte: Tribuna do Planalto (GO)




A partir deste ano, o Ministério da Educação (MEC) pretende incluir a área de Ciências na avaliação aplicada pela Prova Brasil aos Alunos do Ensino Funda-mental. O anúncio foi feito no dia 6 de fevereiro pelo ministro da Educação, Aloísio Mercadante.

Com a alteração, o exame se aproximará ainda mais do modelo adotado pelo Programa Internacional de Avaliação (Pisa), responsável por aferir as habilidades dos estudantes em português, matemática e ciências em mais de 60 países.

Para o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a iniciativa do governo federal representa apenas os primeiros passos para resolver o déficit nessa área. “O Ciência sem Fronteiras é importantíssimo, mas sozinho não vai dar conta da demanda que o Brasil tem por produzir ciência de qualidade em larga escala, pois isso começa na Educação básica”, argumenta.

Mas a medida tem sido comemorada pelos Educadores. Para o Professor da Escola Municipal Alice Coutinho, Kleiber Pinheiro Sales, a inclusão da disciplina na avaliação pode gerar pressão por melhores resultados. “As ciências precisam de mecanismo de impulso e a Prova Brasil é mais um motivador para que a Escola assuma a responsabilidade social de melhorar o seu nível de Ensino para que o Aluno responda à altura no exame.”

Neysson Alvim Campos, diretor da Escola Estadual Jardim Tiradentes e Professor de biologia, concorda com o colega. Contudo, ele considera que também é necessário incluir, pelo menos, outras duas disciplinas na prova. “A avaliação precisa ter as áreas básicas, que são o português, a matemática, as ciências, a geografia e a história; mesmo que seja em quantitativo menor de questões.”

Na base
Com a mudança proposta pelo MEC, os Educadores acreditam que o Professor de Ciências passará a ser melhor valorizado e que os Alunos ficarão mais motivados.

Cara, entretanto, discorda. Segundo ele, isso não trará nenhum impacto imediato na sala de aula e pode acontecer, até mesmo, de ter um resultado negativo. “Com o tempo, as aulas serão orientadas por essa avaliações externas, o que acaba por desqualificar a qualidade do processo de Ensino e aprendizagem na sala de aula.

Ele reconhece que a iniciativa é importante, mas o ideal seria ter laboratórios de ciências em toda a rede pública. “É preciso ter experiências de ciências distintas desde a Educação infantil. Não que o Aluno dessa idade tenha que aprender ciências, mas ele tem que ser estimulado a lidar com aquele mundo de descoberta, da natureza, dos conhecimentos físicos desde cedo.”

Rede estadual não tem dados
A reportagem do Escola tentou fazer um levantamento sobre a percentagem de Escolas da rede estadual com laboratórios de Ciências, mas apesar dos diversos contatos com a assessoria de imprensa da Secretaria da Educação de Goiás (Seduc), não teve acesso aos dados.

A mesma informação foi solicitada diretamente à Superintendência de Ensino fundamental e ao Centro de Referência para o Ensino de Ciências e Matemática (Creciem), ambos vinculados à Seduc, sendo este último o responsável pelo acompanhamento desses espaços, mas ninguém soube dizer ao certo o número de laboratórios em funcionamento.

Estrutura ruim
O Professor Kleiber Pinheiro Sales trabalha em uma das Escolas municipais de Goiânia privilegiadas com um laboratório de ciências. Em toda a rede apenas 55% das unidades oferecem esse recurso atualmente (ver quadro no centro).
Ele acredita que o laboratório melhora o aprendizado e estimula o interesse dos estudantes. “Com isso, o Professor tem condições de dar uma aula melhor, pois tem ali um elemento motivador. É um espaço que valoriza a Escola na prática didática. O Aluno se sente mais disposto para aprender”.

Já no C. E. Jardim Tira­dentes, a situação é outra. A Escola foi ampliada em setembro de 2012, tem o espaço para o laboratório, mas ainda não recebeu os equipamentos. O diretor Campos diz que os materiais básicos já foram adquiridos e o laboratório deve ser inaugurado ainda nesse semestre.


Opinião: A tecnologia e a revolução educacional
A Educação também se prepara para uma revolução. Há um ano estive em Madri, na Espanha, onde participei de um encontro mundial de Educadores conectados pelas redes sociais, que anualmente se reúnem em algum lugar do mundo para entender o Ensino do século 21.

A conclusão a que chegamos, a partir desse encontro, é de que somos - e seremos - Educadores e estudantes durante toda a vida. O modelo educacional secular, no qual um fala e outros escutam já se esgotou.

No mundo conectado há três tipos de Aluno: aquele que, em silêncio, presta atenção a tudo; outro que precisa conversar e pesquisar em rede; e um terceiro que precisa ver, sentir e tocar para aprender. O espaço físico e as aulas cronometradas não fazem mais sentido.

A Educação repetitiva e decorativa tornou-se obsoleta com toda a informação do mundo absolutamente disponível.
No entanto, frequentar uma Escola ainda é importante para compartilhar os valores da sociedade, para o coletivismo e para o trabalho colaborativo e em rede, três conceitos fundamentais para qualquer um crescer na vida e na carreira.

O mundo mudou
O Professor não é mais o dono do conhecimento, mas sim o maestro do aprendizado em rede.
Em um mundo atolado de informação, cada dia mais, ele terá o papel de curador da sabedoria das multidões.
Sim, teremos de estudar durante toda a vida. Em uma época, você será talvez um administrador, depois um Professor, um empreendedor, um artista, um vinicultor. Não é fantástico?

Prepare-se para essa realidade. Como? Corra e volte a estudar! Ao planejar seu aprendizado em 2013, mude sua postura na sala de aula, seja simultaneamente um contestador, um pesquisador e um Educador.
Ficar sentado, esperando receber o conhecimento do Professor, é um comportamento do século passado. Estude pelo prazer.

Se for fazê-lo por obrigação ou apenas para conseguir uma promoção, é melhor nem começar. Será pior para você.
E faça mais: participe de grupos de estudos on-line, que se organizam na internet, mas que realizam encontros presenciais periódicos, participe de trabalhos voluntários, de saraus de poesia, de debates e trocas de ideias.

Neste mundo, em que a simples troca de informação é um motor de grandes mudanças, seu diploma tem prazo de validade curto.
Mantenha a calma, vá em frente e sempre pense: que futuro estou construindo para nós e para o mundo?

Gil Giardelli é autor do livro Você é o que Você Compartilha, da Editora Gente. Tem quase duas décadas de experiência no universo digital, é Professor nos cursos de pós-graduação e MBA do Miami Ad School e do Centro de Inovação e Criatividade (CIC) da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo


Fim de semana na escola
Oficinas de dança, artesanato, música, futsal, skate, vôlei, capoeira, dama, judô, horta, culinária, cursos de cabeleireiro, manicure, crochê, informática, aulas de libras e sala de leitura são algumas das atividades oferecidas pelo Programa Escola Aberta (PEA), promovido pela Secretaria Municipal de Educação (SME) que, neste ano, conta com a participação de 37 Escolas da rede municipal de Ensino.

Por meio das ações, a proposta busca transformar o ambiente Escolar em um local alternativo aos finais de semana. Em 2012, o programa teve a participação de aproximadamente 150 mil pessoas entre Alunos, Professores e comunidade Escolar.

Segundo a secretária municipal de Educação, Neyde Aparecida, o principal objetivo do programa é a ressignificação da Escola. "Nossa intenção é colaborar para que se crie um lugar de boa convivência e cidadania, mantendo a comunidade longe das mais variadas formas de violência, oferecendo às pessoas momentos de aprendizagem, qualificação e lazer", explica.

Weber Roberto de Almeida, diretor da Escola Municipal João Braz, localizada no Setor São Judas Tadeu, fala dos benefícios que a instituição tem por meio do PEA. "Vejo o programa de forma bastante positiva para a comunidade e para os Alunos. Com diversas atividades oferecidas conseguimos estreitar os laços da Escola com os moradores da redondeza, que passam a ver a unidade como um espaço comunitário, onde é possível construir amigos, aprender algo novo, se divertir e praticar esportes", conta.

Mudanças positivas
O diretor afirma ainda que há casos de Alunos que tinham problemas comportamentais e de relacionamento e que depois da participação no programa mudaram completamente. "Alguns melhoraram a disciplina e todos adoram o PEA, passam a semana esperando chegar o sábado para encontrar com os amigos oficineiros para jogar o futebol, por exemplo. Além de trabalhar, moro no setor e sei o quanto a comunidade aprova o projeto", ressalta.

Coordenadora comunitária e oficineira do PEA na Escola Municipal Dona Belinha, Rosidelma Barbosa da Costa Santos, fala sobre a participação da comunidade nas oficinas. "Temos na Escola cerca de 130 pessoas por

sábado e a maioria são pessoas idosas, algumas doentes, que vivem aqui momentos de descontração, fazem amigos e desenvolvem trabalhos manuais que tem efeitos de terapia e relaxamento. É um programa muito bom e de grande proveito para nossa Escola", relata.

Para Maria Madalena Mendes de Lima, ex participante e atual oficineira do PEA, também na Escola Municipal Dona Belinha, o programa foi para ela uma oportunidade de ascenção profissional. "Me empolguei e gostei muito enquanto participei como aluna nas oficinas de pintura em tecido, me qualifiquei e hoje sou oficineira do programa e Professora de pintura no Centro de Referência de Assistêcnia Social (Cras) da Vila Isaura. Adquiri conhecimento e hoje vivo bem melhor financeiramente", comemora.

Em 2013
Para o ano de 2013, o PEA traz novidades. Além dos atendimentos às comunidades aos finais de semana, também serão oferecidos cursos de formação e qualificação às equipes gestoras do programa no sentido de aprimorar o gerenciamento das oficinas, noções de prestação de contas e informática básica, bem como momentos de sensibilização quanto a ética, a mobilização social e a diversidade cultural.

Segundo Cleber Carvalho, coordenador do programa pela SME, as novidades não param por aí. "Firmamos parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG), e por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), a partir de março, serão oferecidas 300 vagas para iniciação profissional na área de informática, assegurando a inclusão de adolescentes, jovens e adultos, que participarem das oficnas do PEA, no mercado de trabalho. Serão cursos em montagem e manutenção de computadores, operador de computador, visando edição de imagem e de vídeo", ressalta.

O coordenador comenta também a parceria firmada para este ano com a Liga Nacional de Judô e com a Liga do Distrito Federal. "Haverá a ampliação da oficina de Judô na Escola Municipal Nossa Senhora Aparecida, teremos aulas e campeonatos", explica.

Além das novas parcerias, o PEA prevê para abril a participação na Semana da Educação em Tempo Integral, com a ampliação de conhecimento, pesquisa e formação para oficineiros. Já para junho, a previsão é da realização da Jornada Esportiva, com disputas de futsal, vôlei e tênis de mesa, e para dezembro, a III Convivência Cidadã, evento consolidado que envolve todas as Escolas participantes do PEA em exposições e comercialização de produtos confeccionados durante as oficinas, bem como diversas apresentações culturais.


Cinema além do entretenimento
Além de excelente opção de entretenimento, o cinema também pode ser uma poderosa ferramenta pedagógica. Mas a cineasta Marialva Monteiro, fundadora do Cinema e Educação do Rio de Janeiro, apresenta algumas objeções a essa concepção. “Não coloco o cinema como recurso didático nem como instrumento de ilustração de outras disciplinas do currículo Escolar. Você não faz isto com a música nem com a literatura. Por que fazer com o cinema?”, indaga.

Marialva explica que o cinema tem uma linguagem própria e é assim que deve ser estudado, pois ao ser tratado como mera ferramenta pedagógica seu valor é diminuído. “Ele tem a sua própria especificidade. Tem ritmo, mas não é música; tem texto, mas não é literatura”, ressalta.
Posição semelhante à da cineasta tem o mestre em Comunicação e Semiótica e Professor do curso de Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Sandro de Oliveira.
Para ele, o cinema costuma ser visto como algo muito estreito, associado exclusivamente ao enredo, como se somente isso falasse através do filme”, pontua. Oliveira acredita que esse olhar sem profundidade passa uma ideia errônea de que todos os filmes são os mesmos, mudando apenas os temas. “É como se um filme fosse somente um veículo amorfo, sem vida e vazio para o enredo que ele tem que transmitir”, arremata.

O especialista também problematiza o fato de que, de maneira geral, o Professor que adota o cinema como recurso pedagógico enxerga a película exatamente da mesma forma que os estudantes: apenas como uma ferramenta de distração e entretenimento. “Assim, se o Professor não vê o filme nos seus variados aspectos, é impossível que ele sirva como um instrumento pleno de aprendizagem. Ele (o Professor) extrairia do filme o que ele pensa que o filme fala e jogaria o bagaço (o resto) fora. Isto é um grande equívoco”, ressalta.

Docente do curso de especialização em Educomunicação da Universidade de São Paulo (USP) e consultora pedagógica do Tela Brasil, Cláudia Mogadouro acrescenta que, ao “ajeitar” um filme para que caiba na aula, o Professor deixa de considerar a película de forma mais ampla e rica. “Eu acredito que é muito pouco usar essa forma ilustrativamente, pois o cinema é muito mais formador”, conclui.

Já a Professora de Língua Portuguesa e Literatura, Márcia Galvan Campos, destaca o potencial do cinema para disseminar a arte e a cultura, além de exercer influência positiva nos estudantes. “O objetivo é que o cinema, pela sua natureza afetiva, abra as portas da percepção para o prazer da descoberta das disciplinas de Ciências Sociais, Literatura, Filosofia, Física, Biologia, Química etc.”

Márcia é responsável pela seção de filmes do portal Dia-a-Dia Educação, da Secretaria de Educação do Paraná. “Nesse espaço trazemos diversos conteúdos, como sugestões de filmes, resenhas, entrevistas, sites e outros recursos que podem auxiliar o Educador nessa busca por entender melhor o universo da sétima arte”, explica.

Linguagem multifacetada
De acordo com Geórgia Cynara, Professora do curso de Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e mestre em Cinema, apesar da linguagem cinematográfica ser a mais antiga dentre as linguagens audiovisuais, ela ainda é uma das mais atuais e carrega consigo as complexidades perceptivas de uma obra de arte. “São vários os conhecimentos necessários para se realizar um filme, assim como várias as formas de fruição de uma obra audiovisual”, pontua.

Essa riqueza que compõe a linguagem cinematográfica, segundo ela, permite que o filme possa ser utilizado sob as mais diversas abordagens dentro da sala de aula, indo muito além da temática que abarca. “Os enquadramentos podem nos dizer que elementos são valorizados ou não; que personagens são oprimidos ou opressores. O figurino e a cenografia podem nos remeter a uma época histórica. A fotografia nos mostra um ângulo, uma perspectiva de visão. Os diálogos - ou a ausência deles - podem nos falar sobre as diferentes formas de comunicação. Os sons fazem com que mergulhemos na narrativa. A construção das personagens pode nos falar sobre o quanto o filme pode se aproximar ou se afastar da complexidade do ser humano em nossa realidade”, exemplifica.

Dessa forma, os Professores que entendem a linguagem cinematográfica encontram diversas possibilidades para enriquecer o conteúdo ensinado, sem que com isto reduzam os aspectos artistícos da sétima arte. “Será possível perceber as entrelinhas do discurso fílmico, que não está apenas no que é verbalizado pelos personagens. E, quem sabe, trabalhar a teoria dos conjuntos, numa aula de matemática, utilizando-se de um filme que possui vários núcleos de personagens que se entrecruzam, por exemplo. Ou trabalhar o marxismo numa aula de História, a partir da teoria da montagem de Eisenstein”, pontua.

Posição semelhante tem o Professor de Cinema da Universidade Federal de Goiás (UFG), Lisandro Nogueira. “Formar Professores e Alunos para entenderem a linguagem cinematográfica e sofiscarem o olhar é formar a pessoa para a vida, para enfrentar os embates cotidianos”, diz ele.

Geórgia Cynara destaca que, para as pessoas interessadas em desfrutar das riquezas da sétima arte em sala de aula, cultivar um repertório cinematográfico é fundamental. “Assistir ao máximo de filmes que puder, para que se possa perceber, para além do conteúdo temático, o conteúdo estético e político dos filmes é essencial.”

Universo audiovisual
Victor Creti é um exemplo de Professor que utiliza o cinema como recurso pedagógico com a preocupação de não reduzir sua dimensão artística. “A primeira coisa que penso é que o filme, enquanto obra de arte, é composto por, no mínimo, dois aspectos: os formais e os conteudísticos. Não acredito que apenas um deles deve ser tratado em detrimento do outro, mas em conjunto”, acrescenta.

Professor de História no Ensino médio e pré-vestibular, Creti entende que os jovens estão cada dia mais mergulhados no universo audiovisual. Por isso ele tanta fazer a ponte entre esse universo e a sala de aula. “Busco, mas nem sempre consigo, partir das referências do Aluno e dos filmes – sobretudo os hollywoodianos – que estão sempre presentes nestas referências.”

O Professor conta que, mais gratificante nesse processo, é a forma como os Alunos reagem aos filmes.“É sensacional! A arte sensibiliza a todos. Aqueles que imagino que odiarão o filme sempre se envolvem nos debates que promovo depois, expondo bastante suas opiniões e formas de pensar. É muito interessante, que geralmente comentam que aquilo que foi apresentado e discutido fica internalizado, revelando uma verdadeira apreensão do conteúdo”, comemora.
Como se preparar?

Para o Professor que vai levar o cinema para dentro da sala de aula, a primeira preocupação deve ser a seleção do filme, tendo em vista a faixa etária dos Alunos, explica José Miguel Lopes, Professor da Universidade Estadual de Minas Gerais (UFMG) e coautor do livro A Escola vai ao Cinema.

Ele orienta que o Educador precisa assistir ao filme antes de usá-lo para conhecer a obra cinematográfica e estabelecer critérios para o plano de aula, onde devem constar os conceitos, os objetivos, a metodologia, incluindo um roteiro de discussão do filme e avaliação.

No início da aula, ele deve entregar o planejamento aos Alunos com a sinopse do filme e um roteiro para discussão. Deve também fazer um breve comentário da obra a ser exibida. “Uma questão importante é que essa atividade não deve ser vista como uma distração em que Professores usam filmes para ocupar o tempo de suas aulas, mas como uma oportunidade de construir conhecimento, um saber histórico Escolar”, enfatiza Lopes.

Outro ponto essencial para aprofundar as temáticas abordadas é a promoção de um debate ao final do filme. Para isto, Lopes defende que o Professor precisa ter conhecimento básico da linguagem cinematográfica e domínio mínimo da sua gramática para ajudá-lo na hora da análise crítica do filme e na orientação aos Alunos. “Articular a discussão do filme, usando outro tipo de fonte (música, matéria de jornal, fotografia etc.), pode tornar a aula muito mais dinâmica e interessante”, acrescenta.

Na internet, é possível consultar sites de introdução ao cinema ou comprar livros da área. Quanto ao melhor gênero cinematográfico a ser utilizado, Lopes é enfático: todos os filmes, desde documentários à ficção, podem e devem ser trabalhados em sala de aula. “A meu ver, todos os filmes podem ser educativos. Depende da forma como eles são trabalhados pelo Professor. Reduzir os filmes em sala de aula apenas para os considerados educativos é empobrecer o cinema e o processo educativo”, salienta.

Além de se posicionar contra a utlização do cinema como suporte pedagógico às matérias curriculares, Lopes sugere que a forma mais avançada de se trabalhar o cinema na Escola é incentivando o envolvimento dos Alunos no processo de produção. “E hoje isso não é tão difícil em termos tecnológicos, pois até com um celular é possível fazer pequenos filmes.”


Cinema educativo
É muito comum encontrar Professores que utilizam o cinema como um recurso para complementar suas aulas. Entretanto, alguns especialistas vêem essa iniciativa com ressalvas, pois consideram que a grande maioria dos Educadores não detém conhecimento necessário para adotar a sétima arte como ferramenta pedagógica.

Em parte, eles tem razão. Especialmente quando o Educador age de forma descompromissada e substitui suas aulas pela exibição de filmes, com a única intenção de ocupar o tempo de seus Alunos.

Por outro lado, diante de tantas exigências e a própria deficiência na formação de base, não se pode exigir que o Educador seja um crítico de cinema simplesmente para levar um filme a seus Alunos.

Como bem ressaltou o Professor José Miguel Lopes, que leciona na Universidade Estadual de Minas Gerais (UFMG) e coautor do livro A Escola vai ao Cinema, qualquer filme pode ser educativo, desde que o Professor saiba mostrar isso a seus Alunos.

A contribuição do cinema para a formação do cidadão também é um dos temas abordados na entrevista desta edição, que abre espaço para a opinião da Professora Rose Satiko. Ela escreveu um livro que reflexiona sobre o comportamento da sociedade em relação à violência expressa nas obras cinematográficas.


Socialização de experiências e projetos
A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) realizou, nesta última semana, o primeiro encontro do ano de tutores pedagógicos. Também estavam presentes diretores de Núcleo Pedagógico das Subsecretarias Regionais de Edu­cação e tutores do Programa de Acompanhamento e Suporte Pe­dagógico (PASP).

O encontro ocorreu na Capital e, simultaneamente, em outras cinco cidades polo: Rio Verde, Morrinhos, Formosa, Uruaçu e Iporá. Foram promovidas oficinas com foco na elaboração de diagnósticos e planos de aula, entre outros temas.
O evento também serviu para que os profissionais pudessem compartilhar suas experiências e sanar dúvidas pertinentes a este início de ano letivo. De acordo com a gerente de Tutoria Pe­dagógica da Seduc, Márcia Rejane, estão previstos para 2013 outros sete encontros semelhantes, sendo quatro por semestre. “Também constava na nossa pauta a preparação para o primeiro dia de trabalho coletivo na rede pública estadual – marcado para 1º e 2 de março - e a construção do plano de ação real dos tutores.”

Em Goiânia, as oficinas ocorreram na Uni-Anhanguera. Di­retora do Núcleo Pedagógico da Subse­cretaria Regional de Apa­recida de Goiânia, a Professora Ione Rodrigues avaliou como “produtivas” as atividades propostas, principalmente pela oportunidade que teve de conhecer a realidade de outras regionais por meio da socialização de experiências e projetos.

Já o diretor do Núcleo Pe­da­gógico da Su­bsecretaria Me­tropolitana, Juliano Avelar, acrescentou que a formação serviu para contextualizar melhor os tutores aprovados nos últimos processos seletivos. “Todos estão comprometidos com o trabalho. Tenho certeza de que farão a diferença em sala de aula”, disse. (Edson Leite Jr.)

“Geração livre de preconceitos”
Com conhecimento de causa – ele tem uma lesão que o impede de andar há 15 anos -, o arquiteto e urbanista especialista em acessibilidade, Wanilson José da Silva, falou aos presentes da necessidade das autoridades políticas e do poder público se debruçarem mais sobre esta pauta.

Se­gundo ele, só a Escola é capaz de criar uma nova geração livre de preconceitos. “Se não tivermos um ambiente acessível, onde a criança com deficiência possa se desenvolver e se tornar um cidadão completo e autônomo, nas gerações futuras vamos estar novamente tutelando pessoas”, enfatizou.

Wanilson José ressaltou ainda que Goiás é um estado precursor quando o assunto é Educação inclusiva.
Para ele, nos últimos dez anos, a situação do deficiente físico no Brasil tem melhorado bastante, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido.
“Hoje em dia, não basta o bom senso para que acessibilidade seja uma regra, é preciso criar instrumentos legais para que isso seja uma realidade absoluta”, explicou.

Acessibilidade é tema de encontro
Acessibilidade. Este foi o principal tema abordado no “Encontro de Formação” com profissionais mediadores das Subsecretarias Regionais de Educação e coordenadores dos Centros de Atendimento Educacionais Especializados que a Secretaria de Estado da Educação realizou no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg).A gerente de Ensino Especial, Lorena Resende Carvalho, abriu o evento explicando que ainda é preciso uma mudança conceitual para que a rede estadual chegue ao patamar ideal de Educação inclusiva. “O profissional de apoio, mais do que estar ao lado do Aluno, precisa trabalhar junto ao Professor regente para descobrir potenciais que tornem mais fácil a transmissão do conhecimento”.


Sangue e reflexão
A violência no cinema sempre foi alvo de muita polêmica. Dessa vez, acompanhando o sucesso da mais nova película do gênero em cartaz, o filme Django Livre, de Quentin Tarantino, foi lançado pela Editora Terceiro Nome, o livro Imagem-Violência: Etnografia de um Cinema Provocador, escrito por Rose Satiko Gitirana Hikiji, Professora de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP).

No livro, a autora utiliza a abordagem da Antropologia Visual para analisar uma série de filmes lançados na década de 1990 como Cães de Aluguel e Pulp Fiction, de Quentin Tarantino; Violência Gratuita, de Michael Haneke; Fargo, dos irmãoes Coen; A Estrada Perdida, de David Lynch, entre outros.

A conclusão da autora é de que a violência, antes de ser uma representação direta da realidade, é uma maneira de pensar nossa relação com ela e de provocar no espectador uma reflexão sobre a sociedade. “As pessoas não se tornariam mais ou menos violentas por ver filmes, mas alguns deles (filmes) podem provocar novas formas de pensar o assunto”, explica.

De acordo com Rose, os filmes violentos podem, inclusive, ser analisados e discutidos em sala de aula, juntamente com os Professores. Para ela, a ironia e a violência empregada nessas obras são fatores que estimulam o questionamento, que é essencial para ampliar perspectivas sobre o mundo e de nós mesmos.

O que levou a senhora a trabalhar esse tema de cinema e violência?
Eu tinha feito alguns cursos na USP e tomei conhecimento da Antropologia Visual que, naquele momento, tinha a ver com pensar os filmes em relação à sociedade e o cinema como um produto cultural relacionado a ela. Essa pesquisa tem início em 1996, quando eu conheci essa abordagem da análise fílmica por meio da Antropologia. E era uma época em que alguns filmes que eu analisei começavam a ter bastante destaque na mídia, na crítica cinematográfica e também em alguns meios acadêmicos justamente por estarem trazendo a temática da violência de uma forma diferente da qual ela estava sendo tratada até então.

Muitos especialistas acreditam que o cinema influencia a sociedade. Há casos na Inglaterra, por exemplo, de pessoas que, após assistir o filme Laranja Mecânica, saíram nas ruas praticando atos de violência fantasiados como os personagens da obra. Nesse sentido, a violência pode ser estimulada com um filme? Como a senhora percebe essa relação?

Eu acabei fugindo um pouco dessa perspectiva de pensar nessa relação do cinema como algo que geraria ou provocaria uma ação direta na sociedade. É claro que existem casos. Mas, em geral, são casos em que a pessoa vai ao cinema, assiste um filme

e decide atirar no público. Contudo, não foi esse meu foco de abordagem porque eu entendo que são sujeitos que já tem uma predisposição e o filme foi o disparador dessa violência. Mas qualquer outra coisa, como uma discussão familiar ou outro estímulo poderia ter despertado isso porque a pessoa já tinha essa predisposição.

Então qual é o seu foco nessa pesquisa?
Eu analisei filmes violentos e acabei pensando essas obras a partir de uma perspectiva de que eles são menos um reflexo da sociedade do que uma forma de pensar sobre ela, de refletir sobre.

Os filmes seriam, então, uma forma de questionar a cultura de violência da sociedade atual?
Seria uma forma de provocar a reflexão. Na verdade, é claro que não é qualquer filme que reflete sobre isso. Muitos talvez simplesmente estimulem o nosso voyeurismo, ou seja, o nosso desejo de ver a ação e resolução violenta do conflito. No caso, eu selecionei filmes que estimulem a reflexão.

E como essa reflexão é estimulada nos filmes violentos?
Essa provocação da reflexão pode se dar por mecanismos próprios ao cinema como, por exemplo, o cineasta que mantém a sua adesão, a sua necessidade de vínculo com determinado personagem ou situação. Daí em algum momento do filme ele lança o questionamento sobre o porquê de você estar torcendo para aquele personagem ser morto. É interessante que eles questionam a violência não por meio de um mecanismo dissertativo e expositivo, mas, muitas vezes, pelo uso da ironia, provocando o riso e determinados sentimentos no espectador, utilizando bem a própria linguagem cinematográfica.

No seu livro, a senhora chama a atenção para o humor dos filmes violentos. Como funciona essa relação entre o riso e a violência?
O que me chamou a atenção, inicialmente, em vários dos filmes que eu decidi analisar foi justamente a reação do público. São filmes que eu acompanhei nas salas de cinema e eram filmes que, ao apresentar situações de violência física, como tiroteios, decepações, agressões físicas e muito sangue, provocava o riso na plateia. Os espectadores, nessas situações, riam muito. Isso me chamou a atenção porque me pareceu que essa não era a reação mais comum em virtude do tema e de como ele estava sendo apresentado. Essa foi uma das coisas que, naquele momento, na década de 1990, começou a ser chamado pela crítica como um cinema da crueldade irônica; era um termo do Jean Claude Bernadet, por exemplo.

A crítica cinematográfica fala muito em humor negro. Seria apenas isso?
Sim, é um humor negro, mas caracterizado com muita ironia. Talvez uma espécie de humor negro, com o humor se sobressaindo. É uma representação muitas vezes grotesca da violência, de um grotesco que tende para o ridículo e o cômico. Por exemplo, no cinema do Tarantino, o que vemos é uma representação da ação violenta muito típica do filme policial, mas em que o uso de alguns mecanismos e a apresentação é de tal forma exagerada, que chega a provocar risada. E esse riso, dado pelo tempo do filme e pela maneira como as coisas são mostradas, acabam levando o espectador, na minha compreensão, a ter que refletir sobre a própria expectativa que ele tem em relação ao filme.
E quanto aos outros filmes analisados?

Percebi isso também no filme do Haneke, Violência Gratuita, onde somos conduzidos a acompanhar a ação, a desejar uma resolução violenta para ela, mas, em determinado momento do filme, ele utiliza um recurso onde o ator olha para a câmera e fala diretamente com o espectador, o que nos faz pensar sobre o que estávamos desejando: nós desejávamos a morte dos protagonistas da forma mais espetacular possível e o diretor nos faz perceber esse nosso desejo de resolução violenta da situação, esse nosso próprio egoísmo.

O cinema tem investido muito em recursos que deixem a cena mais realista, como a tecnologia 3D, que faz com que o espectador se sinta “dentro do filme”. E os filmes de ação e violência são os que mais fazem sucesso nessa área. Porque o público gosta tanto de filmes violentos?

Eu sigo uma linha que pensa o cinema como uma possibilidade de nós vivenciarmos situações que não seriam possíveis de serem experimentadas na vida. Então, o cinema acaba sendo uma forma de você viver, por meio de um mecanismo de projeção e identificação, milhares de outras vidas que você jamais poderia ter vivido. Existe um mecanismo voyeurista que é extremamente prazeroso, que é o de você se identificar com o personagem e com uma ação.

E, por meio dessa identificação, é possível experimentar outras vidas e situações que você não viveria normalmente em sua vida. E uma das situações que o cinema mais explora é a da ação que contrapõe o bem e o mal, o héroi e antiheroi e geralmente isso envolve boas doses de violência. Isso tem a ver com essa carência de experiência que temos na nossa vida e com o desejo de experimentar coisas que só podemos por meio da ficção.

Quando falamos de cinema e violência, o nome mais lembrado é do diretor Quentin Tarantino. Ele se tornou cultuado pela nova geração de cinéfilos e está lotando as salas de cinema com o novo filme Django Livre, que já foi premiado no Globo de Ouro e agora concorre também ao Oscar. Porque Tarantino faz tanto sucesso?

No livro, eu pude analisar os dois primeiros filmes do Tarantino - Cães de Aluguel e Pulp Fiction. Depois eu acompanhei os demais como espectadora e sem a preocupação com a análise. Mas nos dois primeiros já tem ali os elementos que fizeram do Tarantino o sucesso que ele é, inclusive no Django Livre. Acho que o principal fator seja essa metalinguagem que é característica desde o primeiro filme. Ele sempre explorou citações diretas ou indiretas da obra de outros cineastas e brincou muito com a linguagem cinematográfica de um jeito criativo e livre.

A forma não-linear como ele conta a história, as interrupções, os flashbacks, ou seja, uma série de elementos tanto metalinguísticos como o modo como ele explora a cultura pop, seja música ou referência a alguns personagens e ícones. No Pulp Fiction ele traz de volta o John Travolta, que há dez anos não fazia sucesso, recuperando o que ele foi em um outro momento, o do filme Os Embalos de Sábado à Noite. Ele tem a capacidade de fazer referência e brincar com a própria história do cinema para contar suas próprias, que são quase sempre caracterizadas também pelo uso da violência de forma exagerada, quase pastelão mesmo.

Muitos Professores costumam utilizar filmes para ilustrar determinados conteúdos e até trazer reflexões sobre a própria sociedade. Tendo como base seus estudos, como esses filmes de violência poderiam ser usados em sala de aula?
Eu acho que bons filmes, respeitada a faixa etária, que tematizam questões importantes históricas, sociológicas e culturais podem ser utilizados em sala de aula com o cuidado do Professor. O Educador tem que se atentar pela forma com que se constrói a questão. Por exemplo, alguns desses filmes que eu analiso foram muito criticados pelo uso exacerbado da violência, pelo seu estímulo e banalização.

Você tem que identificar esses usos, de que maneira essa violência está sendo apresentada, porquê o diretor optou por apresentar desse jeito e não de outro. É um pouco esse trabalho de desconstrução da película que eu realizei no livro, mas que o espectador e o Professor podem fazer também, chamando a atenção para a maneira como os personagens são construídos e de que forma o maniqueísmo é ou não trabalhado.

No filme policial nós temos aquela estrutura de bem e mal, onde vencer o mal justifica qualquer tipo de ação do bem, inclusive, o emprego da violência. Em alguns dos filmes que eu analiso, essa separação de bem e mal é bastante problematizada. E essa guerra e oposição óbvia entre o bem e o mal sempre é um tema interessante para ser trabalhado na Escola com os Alunos. Eu acho que, por exemplo, o Django Livre, é um filme muito pesado, mas poderia ser trabalhado com Alunos do Ensino médio para discutir a escravidão e a violência, chamando a atenção para a forma irônica como ele aborda alguns aspectos, inclusive as polêmicas que ele tem causado.

A seleção que fiz no livro são de filmes provocativos, que geram discussão. Eu acho que essa provocação é muito importante num momento em que pessoas vão ao cinema somente para se divertir. São filmes que trazem outra perspectiva, que não negam o riso, mas estimulam uma reflexão e, por isso, são obras interessantes para serem discutidas, inclusive em sala de aula.

O que é e o que faz?
Rose Satiko é bacharel em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (1992) e em Ciências Sociais pela USP (1995). Possui mestrado (1999), doutorado (2004) e pós-doutorado (2005) em Antropologia Social pela USP. Atualmente é Professora do Departamento de Antropologia da USP e coordenadora de Pesquisas em Antropologia Musical da mesma universidade. É autora do livro A Música e o Riso (Edusp/Fapesp, 2006) e coorganizadora dos livros Escrituras da Imagem (Edusp, 2004) e Imagem e Conhecimento (Papirus, 2009).
 


Ver todas as notícias de Educação na Mídia

Carregando

Ainda não há comentários.

Seja o primeiro a comentar.




Seu comentário foi enviado com sucesso.




 

Leia os termos de uso antes de enviar sua mensagem.
Li e aceito os termos de uso.

 

Consulte nosso glossário

  • A
  • B
  • C
  • D
  • E
  • F
  • G
  • H
  • I
  • J
  • K
  • L
  • M
  • N
  • O
  • P
  • Q
  • R
  • S
  • T
  • U
  • V
  • W
  • X
  • Y
  • Z

Sua mensagem foi enviada com sucesso!
 
 
 

Não foi encontrado nenhum registro com os critérios informados.