Pacto pela alfabetização

13 de maio de 2013
Capacitação incluiu professores da primeira fase do Ensino Fundamental

Fonte: Tribuna do Planalto (GO)




Professores regentes das turmas de 1º ao 3º ano do Ensino fundamental das redes municipais e estadual de Goiás começam a receber este mês bolsas mensais no valor de R$200 do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), do Mini­stério da Educação (MEC).

No dia 26 de abril, vários municípios já tiveram os recursos liberados. Todos os Professores participantes do programa têm senhas pessoais e podem acompanhar o processo por meio do site simec.mec.gov.br, na aba de acompanhamento de avaliações e bolsas.

A Secretaria de Estado da Edu­cação (Seduc) coordena o Pnaic em âmbito estadual, acompanhando de perto as formações dos Orien­tadores de Estudos, realizada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), que concluiu em mar­ço a formação inicial de 40 horas dos mais de 500 orientadores da rede estadual e dos municípios.

Todas as secretarias municipais aderiram ao Pacto Nacional. Em 19 localidades com número de turmas iniciais do Ensino Funda­mental inferior a 10, a Seduc incluiu também os Professores municipais na rede estadual para efeitos de formação, acompanhamento e avaliação dos trabalhos. E assim foi feito.

O Pacto Nacional pela Alfabe­tização na Idade Certa, lançado no ano passado, visa oferecer formação continuada e material peda­gó­gi­co aos Professores dos três primei­ros anos do Ensino fundamental, criando condições favoráveis à Alfabetização de todas as crianças até os 8 anos de idade.
Em Goiás, as metas do Pacto pela Educação, o plano estadual de reforma educacional, é mais ousado e estabelece diretrizes para alfabetizar os Alunos da rede estadual até os 7 anos de idade.

Para isso, adota programas como “Se Liga”, de Alfabetização, e “Acelera”, de correção de distorções idade/série, desenvolvidos em parceria com o Instituto Ayrton Senna, além de participar do programa Pró-Letramento, do MEC.

Novas metodologias
A formação dos 40 orientadores da rede estadual e dos mais de 450 das redes municipais foi feita de 24 de fevereiro a 1º de março deste ano. Os Professores conheceram novas metodologias para tornar as aulas mais atrativas aos estudantes e formas inovadoras de como trabalhar a Alfabetização no campo ou com Alunos com algum tipo de deficiência, entre outras situações.

Eles receberam material de apoio para as aulas. Ao final do curso, os orientadores retornaram aos seus municípios e regionais e lançaram o pacto em cerimônias com a presença de autoridades e com muita festa.

Em seguida, realizaram a formação inicial de 12 horas com todos os Professores de 1º ao 3º ano. Mensalmente, esses profissionais participam de oito horas de formação continuada até o fim de 2014.

Este ano, a ênfase das formações será o Ensino da Língua Por­tuguesa. No próximo ano, o foco será Matemática. Só na rede estadual são 752 Professores que regem o mesmo número de turmas com um total de 18.568 Alunos.

Nas 19 cidades com menos de 10 turmas de 1º ao 3º ano do Ensino fundamental, a Seduc está enviando equipes formadoras para os encontros mensais de formação.

São elas: Aurilândia, Aveli­nó­polis, Panamá, Palestina de Goiás, Morro Agudo de Goiás, Is­raelân­dia, Edealina, Jandaia, Ade­lândia, Marzagão, Santa Rosa de Goiás, Trombas, Palminópolis, Cro­mínia, Diorama, Itauçu, Palmelo, Três Ranchos e Taquaral de Goiás.

Acompanhamento
Além da bolsa mensal e do material de apoio para o Professor, as Escolas com turmas iniciais recebem material pedagógico, livros literários e jogos pedagógicos. Os Professores são acompanhados pelos orientadores e realizam atividades programadas, além de participar dos encontros mensais de formação, de preferência, aos fins de semana.

Os estudantes do 2º ano que participam da Provinha Brasil, a partir deste ano, terão suas notas incluídas na plataforma do Pnaic pelo Inep/MEC, que irá acompanhar e monitorar o rendimento Escolar de cada Aluno e, a partir das informações obtidas pela avaliação, os gestores e Professores têm condições de intervir de forma mais eficaz no processo de Alfabetização, aumentando as chances de que todas as crianças, até os 8 anos de idade, saibam ler e escrever.

 

As deficiências do projeto Mais Educação
O prazo para as Escolas públicas brasileiras se cadastrarem no programa Mais Educação foi prorrogado até o dia 31 de maio. Este ano, a expectativa do Ministério da Educação (MEC) é incluir mais 13 mil instituições no cadastro.

Mas embora o projeto tenha previsão de expandir, ele ainda carrega desafios estruturais. Presente em 32 mil Escolas públicas no país, o programa oferece diversas atividades socioeducativas com o objetivo de ampliar tempos, espaços e atores envolvidos no processo de Ensino-aprendizagem.
Contudo, o Mais Educação esbarra na falta de estrutura física das unidades educacionais e na carência de pessoal qualificado para desenvolver as oficinas.

Para a Professora e pesquisadora de Ensino em tempo integral da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), Lúcia Velloso Maurício, o programa serviu para revelar a fragilidade das Escolas brasileiras. “Como ele se volta exatamente para as instituições com baixo Ideb e essas são as que devem estar em situação mais precária, ele deixou claro a falta de infraestrutura e recursos que há nelas.”

Em Goiânia, a Escola Municipal Ernestina Lina Marra é uma das poucas unidades da rede municipal que oferece almoço às 120 crianças que participam do programa. Porém, não existem banheiros com chuveiro, refeitórios, cozinhas e locais adequados para o descanso dos Alunos.

Segundo a coordenadora do programa na Escola, Danielle Shirley, a prefeitura é responsável por essas adequações e já viabilizou parte dos recursos. “Os colchonetes já estão no patrimônio para serem liberados”, assegura.

Coordenadora do programa Mais Educação na Secretaria Municipal de Goiânia, Neide da Silva Paiva, garantiu que algumas Escolas da rede já estão na lista para serem contempladas com as reformas.

Já a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) afirma que o Ministério da Educação disponibiliza os recursos para as adequações físicas e pedagógicas, mas cabe à Escola fazê-las. “O MEC tabela pelo quantitativo de Alunos que atendemos. Escolas com até 500 Alunos recebem recurso de R$4 mil de custeio para essas adaptações”, explica a responsável pelo programa na Seduc, Ana Paula Gomes Vieira.

Isso, entretanto, não aconteceu no Colégio Estadual Cultura e Coope­r­ativismo. A coordenadora do Mais Educação a Escola, Kênia Esser Gui­marães, diz que a unidade recebeu verba para a compra de material de apoio pedagógico, como redes de vólei, cadernos etc, mas não para reforma. “Não existe verba para isso, só de custeio e capital”, explica.

Falta dos Alunos
Mas a falta de estrutura física é disfarçada por um aspecto contraditório do Mais Educação: poucas unidades oferecem almoço. Em sua maioria, os estudantes saem para almoçar em suas casas e voltam para as oficinas oferecidas no contraturno.

Dessa forma, parte dessa infraestrutura não é requisitada, mas gera outro problema: a baixa adesão e frequência dos Alunos. Danielle Shirley avalia que, antes da sua unidade oferecer o almoço, a frequência era menor. “Está bem melhor agora, porque os Alunos ficam o dia todo na Escola. É menos cansativo para eles.”

Na rede estadual, a realidade é idêntica. Nas Escolas com melhor estrutura são oferecidos almoços, o que para Ana Paula tem o objetivo de “garantir a frequência dos estudantes.” Os próprios Alunos confessam a falta de motivação com o programa. “Eu vim porque vale nota”, relata Natanael da Silva, 14, estudante da 8ª série do Colégio Estadual Cultura e Cooperativismo.

Ponto polêmico
Há dois meses no programa, o Aluno admite que só frequenta o Mais Educação por interesse no ponto adicional (1,0) em Matemática e Português oferecido pela Escola.

Mesma motivação tem Matheus Ferr­eira, 13, colega de Natanael. Apesar de admitir que a mãe está mais tranquila com ele mais tempo na Escola e que o rendimento em sala de aula melhorou, o Aluno reconhece que seu interesse maior recai sobre a nota. “Mas venho também por causa da oficina de futsal, a minha preferida.”

A coordenadora Kênia Esser destaca que os Alunos são convidados a participar do programa, mas a assiduidade costuma ser pequena. A solução para atrair os estudantes foi oferecer o ponto adicional, mas ainda assim a estratégia não funcionou. “Eles vêm um dia e faltam um mês. Alegam que não conseguem acordar cedo, que não é obrigatório vir pela manhã... E agora, com o frio, as faltas aumentaram ainda mais.”

De acordo com a coordenadora do Mais Educação na Seduc, Ana Paula Gomes Vieira, a secretaria não orienta as Escolas a adotarem esse tipo de estratégia, que é fornecer o ponto adicional aos Alunos participantes do programa.
Na opinião dela, a Escola tem a obrigação de divulgar junto a comunidade e aos pais o trabalho realizado dentro do programa, que tem como meta principal possibilitar o acesso dos Alunos à cultura, esporte e lazer.

Ser ou não ser integral
Embora o governo federal venda a ideia de que o Mais Educação é uma política de Educação em tempo integral, os especialistas discordam. Para a pesquisadora da UERJ, Lúcia Velloso Maurício, o que acontece em Goiás é uma ampliação da jornada. “Na Escola tem tempo integral você prevê que ela tenha estrutura, porque não tem sentido você ampliar o tempo e manter a mesma coisa. É um outro projeto.”

A mesma opinião tem a diretora executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz. Para ela, o Mais Educação não tem uma receita pronta e cabe ao gestor da rede transformar o programa do governo federal em uma proposta de Educação em tempo integral. “Se tem um bom projeto pedagógico preocupado com a Educação integral dos Alunos, você não vai ter uma Escola de 7 horas, de turno e contra turno, com a parte chata e a legal.”

Mas, mesmo com as dificuldades do programa, ambas concordam que o programa é fundamental para começar a suprir as deficiências da Educação brasileira. “Para o Brasil que não ligou para a Educação até o século passado você precisa de mais tempo, é uma coisa simples e imediata,” argumenta Lúcia.

Já Priscila acredita que com o aumento das disciplinas cresce ainda mais a necessidade da ampliação da jornada Escolas. “O programa é importante porque o brasil tem uma oferta de Educação integral muito baixa,em torno de 12%. Mas o congresso ainda fez o favor de aprovar mais disciplinas no Fundamental 2 e Ensino médio. Agora são 13 disciplinas em 4 horas e, nessa perspectiva, é importante fazer um trabalho mais global e o tempo integral viabiliza isso.”

Qualificação é barreira
Você conhece alguém que aceitaria dar aulas, quase de graça, para os Alunos de uma Escola pública? Difícil de acreditar, mas o Ministério da Educação pensa que é possível alavancar a Educação brasileira com o trabalho voluntário de monitores com pouca qualificação e baixa remuneração.
O Mais Educação não exige dos oficineiros nenhuma formação específica e paga, por cada oficina, apenas R$60, sendo possível acumular até cinco delas, totalizando, no máximo, R$300 por mês.

A pesquisadora da UERJ (Uni­versidade Estadual do Rio de Janeiro), Lúcia Velloso Maurício, acredita que essa é uma das fragilidades do programa. “Isso não é um problema só de Goiânia. Na verdade, ocorrem dois problemas: não tem pessoal qualificado nas regiões que dê conta disso e é um trabalho voluntário. O pagamento é considerado uma ajuda de custo e isso faz com que a mão de obra seja rotativa, pois qualquer outra coisa que apareça, o monitor pega. Daí não adianta investir na formação dele, porque eles são transitórios”, explica ela.

Na Escola Municipal Ernestina Lina Marra, em Goiânia, a Coordenação Pedagógica se mobilizou para conseguir monitores na região, mas a insegurança sobre a permanência deles ainda persiste.

“Nós corremos atrás, fixamos cartazes na comunidade e conseguimos bons monitores. O de Música é ótimo, mas na hora que ele passar no vestibular, ele não fica mais. E vamos ter que rezar para ter outro bom como ele”, desabafa a coordenadora Miriam da Silva Raimundo.

Letramento
Por conta dessa dificuldades, as Secretarias de Educação são orientadas a fechar parcerias com as universidades, buscando estagiários para desenvolver essas atividades, mas ainda assim a demanda é mais alta que a oferta e a rotatividade também é grande.

O monitor de Vólei do Colégio Estadual Cultura e Cooperativismo, Caio César Nocit Bezerra, por exemplo, garante que não pretende seguir a carreira Docente. “Enquanto eu estou cursando a faculdade, esse valor ajuda. Mas eu quero ser personal trainner.”

Mas, na mesma Escola, uma monitora de letramento chamou a atenção da reportagem. Bem vestida, maquiada e com um sorriso no rosto, Maria Eliane Costa esbanjava disposição no seu primeiro dia como voluntária no programa.
Professora aposentada há três anos, ela viu no Mais Educação uma chance de realizar um antigo desejo. “Meu sonho era me aposentar e abrir uma biblioteca para despertar na criança o interesse pela leitura. Mas ficou inviável. Quando me disseram que o projeto de letramento tinha o intuito de incentivar a leitura, eu me interessei.”

Maria Eliana é uma das poucas monitoras com qualificação adequada para desenvolver as oficinas e, além disso, está disposta a ser voluntária pela paixão que tem pela Educação. Uma rara exceção, para a felicidade de Alunos e Professores.

 

Opinião: Um novo e atual modelo de Educação
Pensamento crítico, saber trabalhar em colaboração usando a tecnologia e ter capacidade de analisar diversos cenários/informações para tomar uma decisão são as competências cada vez mais exigidas pelo mercado de trabalho e pela própria sociedade.

Para que nossos jovens possam desenvolver melhor essas qualidades desde cedo é preciso que essas características sejam tratadas prioritariamente pelo nosso sistema de Educação.

O atual modelo de Escola, com jovens divididos por idade e conhecimentos segregados/sem conexão entre si não contribui em nada para o desenvolvimento dessas competências.

Para endereçar essas questões tão fundamentais, novos modelos de aprendizagem já vêm sendo desenvolvidos e aplicados. A principal característica proposta nesses novos modelos é que colocam o Aluno no centro do processo das decisões que envolvem o seu aprendizado.

Eles definem desde o que estudar, baseados nas suas necessidades/curiosidades, até os tempos que dedicam a cada um dos temas, aprendendo desde cedo a gerenciar o tempo que dispõem para realização de atividades.

Tudo isso começando num debate com o seu orientador no início da semana sobre o que precisará estudar durante os próximos 5 dias (aprendendo assim a argumentar).

A tecnologia é totalmente incorporada ao cotidiano Escolar de Alunos e Docentes. O conteúdo, as habilidades e as competências são desenvolvidos em aulas digitais com jogos, vídeos e testes por meio de computadores, notebooks, tablets e smartphones.

Implementar novas tecnologias em conjunto com esta nova metodologia de Ensino forma Alunos cidadãos autônomos, solidários e competentes que desenvolverão habilidades essenciais para um mundo em constante transformação, tais como: buscar, analisar e avaliar informações e fontes; solucionar problemas e tomar decisões; e utilizar de forma criativa as ferramentas de produtividade. Assim, certamente, teremos futuros adultos preparados para enfrentar novos desafios.

Tecnologia incorporada
Atualmente existem alguns projetos baseados nesses conceitos. Um exemplo é o Ginásio Experimental de Novas Tecnologias Educacionais (Gente). O projeto Gente foi idealizado pela Secretaria Municipal de Educação do Rio e realizado em parceria com Fundação Tele­fônica/Vivo, Instituto Natura e Intel, entre outros parceiros.

Em projetos como esse notebooks e netbooks conversíveis são incorporados às atividades dos Alunos, dando a oportunidade para que estes aprendam a utilizar essas ferramentas de forma efetiva em seu cotidiano Escolar e para que eles explorem de maneira mais ampla o mundo ao seu redor com muita responsabilidade e protagonismo.

A tecnologia e a Educação se completam e por isso devem evoluir juntas. Acreditamos que investir na integração e no desenvolvimento de novos conceitos educacionais é investir em um futuro melhor para a nossa sociedade.

Rubem Saldanha é gerente de Educação da Intel Brasil

 

Todos pela Educação
Aliado a uma política pública de valorização da Educação, o envolvimento de Alunos, pais, Professores e servidores administrativos no cotidiano Escolar pode ser crucial na promoção da gestão democrática e na melhoria da qualidade do Ensino.

No Centro Municipal de Educação infantil (Cmei) 13 de Maio, localizado no Setor Parque Industrial João Brás, o conselho gestor divide com a direção da instituição a responsabilidade nas tomadas de decisões, mas a tarefa de convencer os pais a integrar o órgão não foi fácil.Em formações anteriores, o conselho era escolhido por indicação, já que quase não havia candidatos aos cargos existentes. Assim que assumiu a direção do Cmei em 2012, Romilda Cândido de Araújo Mendes convocou todos os pais para uma reunião, na qual expôs a importância, funções e objetivos do órgão.“Para minha surpresa, quando perguntado sobre quem gostaria de constituir o corpo gestor muitos pais levantaram as mãos, motivados e conscientes do passo que estariam tomando. Tivemos inclusive que abrir votação para escolher aqueles que comporiam nosso conselho”, relata Romilda.

A partir da parceria, por meio de discussões em encontros periódicos, a proposta político-pedagógica da instituição pode ser reescrita, de forma a atender os reais anseios de aprendizagem de crianças, pais e Professores. Contudo, a participação e intervenção da comunidade unida foram além das deliberações registradas em atas de reunião.

Ao serem surpreendidos com o arrombamento e furto do Cmei, mobilizaram-se e propuseram que fosse realizada uma festa, para angariar fundos e, assim, reaver alguns dos itens subtraídos na ação delituosa.“E eles conseguiram, essa foi uma ação na qual pudemos perceber a importância do conselho. Em outro momento diagnosticamos a necessidade de ampliar o espaço coberto da instituição, a partir daí adquirimos nossa tenda”, relata.

Responsabilidade compartilhada
“O conselho Escolar é o meio de interação mais eficiente entre Escola e comunidade”, define Paulo Roberto Faria, Professor de Educação Física e membro desde a criação do conselho da Escola Municipal João Brás, localizada na Vila Jardim São Judas Tadeu. Segundo o Professor, que hoje ocupa cargo de Tesoureiro, o conselho, criado em 1996, passou por diversas gestões e durante este período, apesar de desgastado, contribuiu significativamente para a evolução da instituição. “Gerindo nossos próprios recursos, ganhamos em tempo e conseguimos melhorar a infraestrutura da Escola, além de que adquirimos materiais vitais para bom desenvolvimento das atividades pedagógicas”, enumera Paulo Roberto.

Ivanuza Pereira Lopes Rodrigues, mãe de Alunos da instituição e membro fiscal desde 2004, acredita que quando as decisões são tomadas em conjunto, tem muito mais chance de dar certo. “A Escola hoje é vista como um espaço democrático, na qual predomina o diálogo em prol do crescimento de todos”, enfatiza.

Em Goiânia, 100% das unidades educacionais da Prefeitura possuem conselhos. De acordo com o Estatuto do Conselho Escolar da rede municipal, o conselho visa o desenvolvimento das atividades, assegurando democraticamente a participação da comunidade em questões administrativas, pedagógicas e financeiras.A diretora do Departamento de Administração Educacional (DAE) da Secretaria Municipal de Educação (SME), Clarislene Domingos, reconhece que a maioria dos órgãos é estabelecido para permitir o recebimento de verbas federais.“A partir da instituição da obrigatoriedade da criação dos conselhos, em 1996, o governo federal passou a enviar dinheiro diretamente para as unidades educacionais, dando autonomia que cada uma defina suas prioridades e apliquem a verba da melhor forma”, esclarece a diretora.

Conselhos fortes e valorizados
Clarislene Domingos destaca ainda, o caráter dialógico e representativo do colegiado. “Para além da atribuição financeira é preciso que os conselhos se apropriem do espaço de discussão para compartilhar conquistas, desafios e problemas, sobretudo nas esferas administrativas e pedagógicas”, pontua.Como nem todos os conselhos exercem integralmente suas atribuições, resumindo-se a avalizar aquisições de bens materiais, a Secretaria Municipal de Educação deu início, na última semana, à formação “Grupo de Trabalho e Estudo: Conselho Escolar e Gestor – Princípios e Perspectivas”.

Com o cronograma previsto até novembro deste ano, o curso integra o Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares, proposto pelo governo federal, e tem o objetivo de contribuir para o debate e análise da Educação considerando a importância de ações implementadoras e de fortalecimento dos Conselhos Escolar e Gestor na rede municipal de Ensino de Goiânia.De acordo com a diretora do DAE, o primeiro passo é atuar junto aos parceiros, Ministério Público, Conselhos Tutelares e Municipal de Educação, afim de formar multiplicadores capazes de repassar os conhecimentos.“Precisamos ter conselhos atuantes para que possamos avançar na democracia das gestões. Esse momento de debate e estudo proporcionará capacitação para que de fato o trabalho dos conselheiros resulte na melhoria da qualidade do sistema de Ensino como um todo”, declara Clarislene Domingos.

O diretor do Departamento Pedagógico (Depe) da SME, Marcos Pedro da Silva, afirma a gestão democrática dentro das instituições perpassa pela atuação dos conselhos gestores. “Plane-jamos essa formação com o intuito de analisar e propor metodologias que, aplicadas na prática, resultarão em ações participativas dos conselhos nas Escolas envolvendo Alunos, Professores e comunidade Escolar”, explica.

Exemplo de transparência
Os conselhos são formados por representantes de todos os grupos envolvidos com a Educação: funcionários e Professores, pais e outros membros da comunidade. Ao trazer todos os interessados para discussão e tirar as decisões da mão de poucos, Maria das Graças Vaz, diretora da EM Nossa Senhora Aparecida, localizada no Bairro São Domingos, transformou a Escola em um ambiente mais democrático e transparente. “Procuro trabalhar pautada nas deliberações das reuniões do conselho. As necessidades e sugestões são apontadas pelos membros, os quais se dividem em grupos que ficam responsáveis por fazer cotações, compras e cálculos”, descreve Maria das Graças.E o trabalho do conselho não para por aí.

Sempre à disposição da comunidade, os livros de prestação de contas e os bens adquiridos dão transparência a gestão da unidade educacional.“Nas reuniões com os pais, os arquivos estão sempre presentes e são um registro da história da Escola, todas as nossas grandes conquistas estão listadas. Sem o conselho, nada disso seria possível”, finaliza Maria das Graças.

 

Magia literária
Ler, interpretar e viajar rumo ao mundo da fantasia dos clássicos infantis tornou-se hábito para Alunos e Professores da Escola Muni­cipal Professora Leonísia Naves de Almeida, localizada no Setor Mo­rada do Sol.

Em março deste ano, a instituição colocou em prática o projeto Academia Leonísia de Letras (ALL), elaborado a exemplo da Academia Brasileira de Letras (ABL), com o objetivo principal de incentivar a leitura na formação e desenvolvimento de Alunos com idade entre 9 e 15 anos.

Organizado em etapas previstas para todo o ano letivo, o projeto possibilitará que Alunos se tornem membros da ALL conforme a quantidade de livros que lerem e após apresentação da interpretação de argumentos que provem a leitura concluída.

Cada Aluno recebeu o passaporte da leitura, com espaço para nove carimbos recebidos a cada obra da literatura brasileira lida e devolvida à sala de leitura após o empréstimo.
A Professora idealizadora do projeto, Lúcia Helena de Araújo Ferreira, explica como foi a preparação para o início das atividades. “Primeiro os Alunos aprenderam sobre a criação e o significado de pertencer à ABL, posteriormente começamos o empréstimo de livros para leituras a fim de fundar nossa ALL com os membros mirins, Alunos de destaque na quantidade de obras lidas”, explica.

Lúcia Helena fala ainda do envolvimento e expectativa dos educandos com a leitura. “A partir do momento que apresentei o projeto, eles se empolgaram. A proposta era ler um livro por mês, mas estamos no terceiro mês do projeto e tem Aluno que já leu seis clássicos. Na ABL, temos escritores de sucesso e na ALL teremos leitores recordistas”, ressalta a Professora.

Aluna do 9° ano, ciclo III, Mery Clara Teixeira Silva, 14 anos, já leu cinco livros e espera “ocupar uma cadeira” na ALL. “Sempre gostei muito de ler e esse projeto me incentivou ainda mais. Quero ser membro da ALL, com certeza!”
Foram distribuídos cerca de 400 passaportes da leitura na Escola, a intenção é que até, o final do ano, a ALL seja fundada com aqueles Alunos que apresentarem todos os carimbos, questionários de interpretações dos textos avaliados e aprovados pelo corpo Docente da Escola.

Para a fundação da ALL, será preparada uma grande festa com a presença de familiares e co­munidade, e ocorrerá entrega de bra­são simbólico a cada Aluno mem­bro oficial da academia.

Alunos autores
É com o título “Nossos Causos, Nossas Histórias”, que a Escola Municipal Professora Leonísia Na­ves de Almeida lança, no próximo dia 18, a I Arte Poética, livro de poesias produzidas por Alunos dos Ciclos II e III, integrantes do projeto de leitura e escrita “A Leveza das Palavras”.

Francisco de Oliveira, Professor e autor do projeto, explica como a poesia encantou e entrou na vida das crianças. “Foi por meio da percepção de que a comunicação virtual e o mundo da internet afasta o público infanto-juvenil da leitura prazerosa de livros poéticos que elaborei o projeto. Minha intenção foi resgatar esse costume, promovendo a leitura e a escrita de versos”, relata.

O Professor conta que os Alunos produziram ótimos textos e que é um grande orgulho para ele e para Escola publicar um livro. “As crianças se sensibilizaram e dedicaram bastante, eu consegui alcançar o meu objetivo de incentivar a leitura, a escrita e, principalmente, o apreço por obras literárias nos meus Alunos”, comemora Francisco.

Lana Vitória de Souza, 11 anos, aluna do 6º ano, autora de uma das poesias publicadas no livro, comenta seu envolvimento com o projeto e fala da satisfação em participar do lançamento da obra coletiva.

“Achei muito importante participar do projeto. Agora, eu gosto mais de ler e sempre escrevo alguma coisa. Gosto de escrever sobre o meu dia a dia, sobre o que acontece comigo e com as pessoas do meu convívio. O livro ficou lindo, vai ser uma festa no lançamento com a presença da minha família”, declara.

O diretor da Escola, Wender Pereira do Nascimento, afirma ser motivo de muita alegria ver o resultado dos projetos da Escola. “É uma grande conquista ver Alunos brilhando e se destacando nas atividades literárias, artísticas e poéticas da Escola. É visível a melhora e o crescimento na leitura, escrita e interpretação de textos na maioria. A Escola sente-se privilegiada em contribuir para a qualidade da formação de crianças que, certamente, terão subsídios para reconhecer futuramente a importância de valores e conhecimentos adquiridos no Ensino fundamental”, afirma.

 

Física em crise
Estimular os jovens à docência na Educação básica. Esse é o objetivo do mais novo programa que o MEC (Ministério da Educação) pretende lançar ainda esse ano com o intuito de reduzir o déficit de Professores de ciências na rede pública.

O programa inclui a criação de bolsas e cursos para incentivar estudantes a seguirem carreiras nas áreas de Física, Química, Matemática e Biologia. Mas para a pesquisadora da USP (Univer­sidade de São Paulo), Luciana França Leme, a medida será pouco eficaz. “Pode ajudar, mas a questão da atratividade dos Professores não será solucionada com medidas específicas, porque o problema tem vários fatores articulados, explica.

Para ela, os baixos salários e as péssimas condições de trabalho são os maiores motivos para a falta de interesse dos estudantes e, consequentemente, para o grande déficit de Professores de ciências no Ensino básico brasileiro.

A pesquisadora realizou um estudo sobre o interesse dos estudantes de licenciatura da USP pela Educação básica, revelando que 52% dos graduandos em Física não pretendem seguir a docência. “Eles vão trabalhar num banco, na área financeira, porque conseguem emprego ainda fazendo licenciatura e, muitas vezes, nem chegam a ir para as Escolas públicas pela falta de condições dessas instituições e por não estarem preparados para lidarem com os Alunos.”

Luciana ainda frisa que faltam muitas pesquisas na área para identificar os egressos e encontrar os gargalos da formação, mas acredita que o motivo do desinteresse na licenciatura também é pela falta de percepção do estudante em relação ao curso. “Ele entra porque gosta de Física ou Matemática, mas não está interessado em como as pessoas aprendem Física. Ele precisa entender como pensa uma criança e isso é muito mais complexo. Aí ele desiste!”

Essa dura realidade é vivenciada diariamente pelas universidades que lutam para manter os estudantes na licenciatura. “Entram 30 Alunos por ano, mas a evasão hoje está em torno de 60%”, revela o coorde­nador do curso de Física da UEG (Universidade Estadual de Goiás), Clodoaldo Valverde.

Ensino superior
A situação não é diferente na PUC/GO, onde apenas 12% dos graduandos em Física conseguem concluir o curso. “A evasão é grande porque o mercado de trabalho na Educação básica é desmotivante. No estado, as condições de trabalho são piores que o salário”, ironiza o diretor do De­par­tamento de Matemática, Física, Química e Engenharia de Alimentos da PUC/GO, Antônio Newton Borges.

Borges revela um dado alarmante: os licenciados optam por trabalhar no Ensino Superior, onde encontram melhores salários, condições de trabalho e reconhecimento profissional. “A maioria dos formandos está sendo contratada pelos institutos federais”, ressalta o diretor.

Já na UFG, a oferta de vagas para a licenciatura em Física foi reduzida drasticamente, com a extinção de 15 vagas no curso integral. O motivo, segundo o vice-diretor do Instituto de Física, Wagner Wil­son, foi a abertura de outros dois cursos, o de Física Médica e o de Engenharia Física, e a baixa procura por parte dos estudantes.
Ainda sim, sobram vagas. De acordo com Wilson, as 25 cadeiras do curso integral oferecidas em 2013 só foram preenchidas no processo seletivo das vagas remanescentes realizado nessa última semana, em que são consideradas as notas do Enem.

Para ele, a complexidade do curso e a falta de perspectiva salarial não só desmotiva o ingresso do Aluno, mas também estimula a evasão. Por isso, muitos estudantes acabam optando por outras áreas. “Nós vemos muitos Alunos de licenciatura indo para mestrados e doutorados acadêmicos na área de pesquisa. Alguns só vão para o mestrado na área de Ensino para depois pleitear uma vaga nas universidades ou num instituto federal”, acrescenta Wilson. 


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Pela experiência de magistério à 29 anos. Percebo que esse pacto pela alfabetização é muito bom, mas para o município que tem condiçoes de contratar, docente para atender série única. Sendo que tem município como o de Guaraqueçaba, onde atuo como professora, passo atender (multissereada), 3 séries ao mesmo tempo,terceiro, quarto e quinto ano,e minha colega da mesma escola atende, primeiro e segundo ano. Sendo assim volta a alfabetização tradicional. As minhas perguntas:
Será que essa criança que chega nessa fase de idade que ainda precisa de brincar, vai ter compromisso em aprender a ler e escrever?.
E como vai ser o aprendizado desse aluno?
E pela não reprovação?
Será que vai ser bom para o aluno, ou só para o sistema de gocverno?
Sendo assim digo, é o resultado que está sendo divulgado referente a educação do Brasil.

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