Editorial: O ensino de ciências

23 de novembro de 2013
"A inclusão de ciências na Prova Brasil e na Aneb é o primeiro passo para valorizar as disciplinas da área no Ensino Básico", afirma jornal

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP)




A qualidade do Ensino de Ciências no Ensino básico começará a ser avaliada este ano pela Prova Brasil e pela Avaliação Nacional da Educação básica (Aneb). Até 2012, esses dois exames continham somente questões de Matemática e Leitura. Como a iniciativa é de caráter experimental, os resultados não comporão o índice de Desenvolvimento da Educação básica (Ideb), como ocorre com as notas de Leitura e Matemática.

Participam da Prova Brasil e da Aneb cerca de 4,9 milhões de estudantes das Escolas públicas e particulares de Ensino básico. Mas somente 84,7 mil Alunos matriculados no 9.0 ano do Ensino fundamental e no 3.0 ano do Ensino médio se submeterão às provas de Ciências, com 52 questões sobre temas como Terra e Universo, Vida e Ambiente, Constituição, Propriedades e Transformação de Materiais e Conservação e Transformação de Energia.

A iniciativa é importante, na medida em que o Ensino de Ciências na Educação básica estimula o raciocínio lógico, desperta o espírito criativo, desenvolve o interesse pela pesquisa e encoraja os Alunos a se posicionarem ante a conhecimentos, processos e inovações que transformam a economia e a sociedade. Apesar da importância do desenvolvimento científico e da inovação tecnológica na vida social, na expansão das empresas e na competitividade dos países, o papel das ciências no Ensino fundamental e médio brasileiro sempre foi relegado a segundo plano, por causa do déficit de Professores de Química, Física, Matemática e Biologia - estimado em 200 mil pelo Ministério da Educação.

Esse é um dos motivos pelos quais o Brasil está atrás do Uruguai, Chile, Colômbia, Costa Rica e México nos rankings de avaliação educacional da América Latina. Por terem um Ensino básico com mais qualidade e darem prioridade às disciplinas de ciências no Ensino básico, esses países têm conseguido atrair as novas gerações para as carreiras científicas. Nos indicadores da área de ciências do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil está no 53.0 lugar, num total de 65 países avaliados.

A inclusão de Ciências na Prova Brasil e na Aneb foi bem recebida nas Escolas públicas e privadas. "O Ensino de Ciências tem sido pouco valorizado. Nos primeiros anos do Ensino fundamental há uma atenção exacerbada com saúde e higiene, mas ciência não é só isso. Há conceitos de química, de física e de biologia que ajudam na vida prática dos Alunos. Muitas vezes se ensina o conteúdo dessas disciplinas, mas não como realizar uma investigação científica", diz Lúcia Helena Sasseron, Professora de Metodologia do Ensino de Ciências da Faculdade de Pedagogia da USP.

"É preciso mudar a mentalidade de que outras disciplinas, fora Português e Matemática, não são úteis. Como é possível mandar um Aluno para o exterior, como é o caso do programa Ciências sem Fronteiras, se ele não teve, na Escola, uma base sólida no campo das ciências?", pergunta Sonia Castellar, Professora de Metodologia do Ensino de Geografia da USP.

A inclusão de ciências na Prova Brasil e na Aneb é o primeiro passo para valorizar as disciplinas da área no Ensino básico. A avaliação não é um remédio, apenas evidencia problemas, lembra Nélio Bizzo, Professor de Metodologia de Ensino de Ciências Biológicas da USP. Além da necessidade de suprir o elevado déficit de Docentes especializados, mediante a expansão dos cursos de licenciatura, será preciso investir maciçamente em laboratórios.

Segundo dados de 2012 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), das 192.676 Escolas brasileiras, somente 10,6% têm laboratórios.

O porcentual é baixo - e, mais grave, muitas das que têm não utilizam os laboratórios com frequência. As autoridades educacionais afirmam que, quando os royalties do petróleo começarem a ser pagos, a União estimulará as redes estaduais e municipais de Ensino a construir mais laboratórios de Ciências. O problema é que esse dinheiro não tem data para chegar. 


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