Escolas federais são modelo para toda a rede de ensino

02 de dezembro de 2013
Notas do Enem 2012 mostram como ensino público pode ser eficiente quando há recursos e corpo docente qualificado

Fonte: Gazeta do Povo (PR)




Contando com melhor infraestrutura, maiores salários e corpo Docente formado majoritariamente por mestres e doutores, as Escolas federais deveriam ser o modelo para toda a Educação pública no país. É o que defendem os Educadores. O resultado do Exame Nacional do Ensino médio (Enem) 2012, divulgado no dia 26 de novembro, evidenciou mais uma vez a superioridade da rede federal, que deixou para trás inclusive Escolas privadas de maior prestígio.

Comparação
Diferença de foco dá ampla vantagem aos colégios particulares

Para os analistas, o atendimento a estudantes com mais acesso a bens culturais e estratégias de Ensino voltadas à conquista de vagas no Ensino superior seriam os principais fatores que favorecem as Escolas privadas em exames de medição de desempenho, quando comparadas às instituições estaduais. No Paraná, a nota média das Escolas particulares no Enem 2012 (560,2) superou em 72,3 pontos a alcançada pela rede estadual (487,9).

Segundo a Professora Inge Suhr, desde que o Enem passou a garantir acesso à universidade, as Escolas privadas têm direcionado seus esforços para obter boa colocação no exame. A nota do Enem há algum tempo se tornou, inclusive, poderoso diferencial na disputa com a concorrência. “O marketing dessas Escolas muitas vezes usa o resultados de seus Alunos no Enem para atrair novas matrículas”, diz. Como nas redes estaduais não há essa preocupação, o Enem não chega a ser visto com a mesma importância, tanto para Alunos quanto para o corpo Docente.

Injustiça Mesmo assim, Inge considera injusto o julgamento da qualidade da rede estadual, como se as Escolas fossem todas iguais. “Há Escolas com resultados muito melhores do que outras. Elas não podem ser vistas como um todo homogêneo”, diz. Ela cita a diversidade dos Alunos como um desafio enfrentado pelas estaduais, que, quando somada ao número elevado de Alunos por sala e às condições precárias de infraestrutura da Escola, torna-se um obstáculo difícil de ser superado em exames como o Enem.

Para o Professor Jefferson Mainardes, a rede privada também tende a oferecer melhores condições de trabalho aos Professores da Educação básica – embora algumas vezes os salários sejam ainda menores do que no setor público.
R$ 7 mil é o valor aproximado do salário inicial recebido por Professores do SETP/UFPR. Maioria do corpo Docente é formada por doutores.

Ainda que a rede particular mostre sua força quando comparada com todas as Escolas públicas juntas, as Escolas federais se mostram melhores em todas as áreas do conhecimento cobradas no exame. Em nível nacional, a nota média dos estudantes das federais na prova de Linguagens, por exemplo, foi de 545,08 contra 544,52 dos Alunos de Escolas particulares. Nas questões de Matemática, enquanto a média dos colégios privados foi de 615,07, as federais alcançaram 625,24 pontos. Considerando apenas instituições paranaenses, a média total das federais chegou a 615,9 pontos ante 560,2 das particulares.

Na edição de 2011, os Alunos de nível médio da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) se destacar no exame, ocupando o 2.º e o 5.º lugares no ranking paranaense. Desta vez, o Setor de Educação Tecnológica e Profissional (SETP) da UFPR, antiga Escola Técnica, foi a melhor entre todas as instituições do estado, alcançando 649,1 pontos.

A nota foi obtida pelos Alunos do curso técnico em Petróleo e Gás, no qual pelo menos metade dos Professores também se dedica ao Ensino superior da universidade. Segundo informa a coordenadora do curso, Gisele Munhoz Alvez, a maior parte do corpo Docente é formada por doutores. O salário inicial dos Professores gira em torno de R$ 7 mil e R$ 8 mil.

Para o Professor Jefferson Mainardes, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), a rede federal leva vantagem em relação às outras redes públicas por contar com um quadro Docente estável, enquanto nas demais é comum a troca de Professores ou a falta de dedicação exclusiva a uma única Escola. “Sabemos que tais Escolas federais são de custo mais elevado, mas a universalização de Escolas com tais características exige a destinação de mais recursos financeiros para o Ensino médio”, acrescenta.

Segundo a Professora Inge Suhr, coordenadora pedagógica do Grupo Uninter, à boa estrutura e à elevada qualificação Docente das federais, soma-se um grupo de Alunos de alto rendimento, que só entram na instituição graças a um processo seletivo, procedimento raramente aplicado por Escolas do estado ou mesmo privadas. “Com isso essas Escolas geralmente lidam com Alunos de camadas menos empobrecidas do ponto de vista financeiro e cultural do que as da rede estadual”, diz.
 


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