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Parintins no cerrado

26 de julho de 2016
Projeto vencedor do Professores do Brasil promove a inclusão de alunos com deficiência por meio da recriação do festival amazonense

Parintins no cerrado
Patricia Ramos de Freitas / Arquivo Pessoal




Bruna Rodrigues, do Todos Pela Educação

Em meio a trajes coloridos e muita cantoria, as figuras de dois bois rivais dançam no ritmo do batuque. O pano de fundo do duelo entre Caprichoso e Garantido não é o bumbódromo de Parintins, mas uma escola localizada em Ceilândia, cidade-satélite do Distrito Federal (DF). Por meio do projeto "Festival de Parintins: Um olhar para a diversidade", Patricia Ramos de Freitas ganhou o prêmio Professores do Brasil 2015 na categoria Ciclo de alfabetização: 1º, 2º e 3º anos - Anos Iniciais do Ensino Fundamental.

A inciativa foi desenvolvida no Centro de Ensino Especial 01, escola que atende estudantes com deficiência intelectual, múltiplas e pessoas com autismo. O trabalho premiado consistiu em trazer a cultura popular para dentro do colégio, mediante a encenações da expressão amazônica. De acordo com Patricia, a ideia surgiu devido a pesquisas feitas pelos alunos sobre as manifestações culturais brasileiras, que trouxeram o encantamento da maioria deles com a festa dos bois. “O espetáculo foi construído no segundo semestre de 2014, quando trabalhamos de forma interdisciplinar envolvendo a participação de oito professores. Usamos música, teatro, artes visuais e dança, recriando assim o Festival de Parintins de forma coletiva”, afirma a educadora.  A recriação do Festival foi apresentada publicamente em espetáculos - um deles durante o evento que comemorou o aniversário da cidade.

A turma, composta por estudantes de 16 a 60 anos de idade, tem em sua maioria pessoas com deficiência intelectual, mas há estudantes com deficiências múltiplas. Patricia desenvolveu com os alunos atividades semanais em que eles tinham liberdade de criar cenários e figurinos, além de jogos teatrais e pesquisas sobre a Região Norte do País.

Patricia se lembra que durante uma das apresentações havia esquecido de levar parte do figurino de um dos estudante. Ao saber que teria que subir ao palco sem suas vestimentas características, o rapaz se recusou a se apresentar. “Isso demonstra que ele vestiu o personagem e adquiriu autonomia”, explica a professora.

Segundo ela, além de mais autônomos, os alunos também ampliaram o vocabulário, melhoraram a linguagem e adquiriram autoestima com o projeto. “A atividade trouxe a oportunidade desses estudantes serem reconhecidos pela comunidade como pessoas capazes de fazer teatro, rompendo as barreiras da segregação rumo a inclusão social”, reitera.

Reconhecimento
Patricia fez a inscrição para o Professores do Brasil 2015 no último dia, e ficou surpresa com o resultado. “Essa premiação é muito importante para a nossa escola, esse trabalho é a comprovação de que promovemos a inclusão social dos estudantes”. Ainda afirma que ser professora é um sonho que sempre teve, e se sente muito realizada em poder exercê-lo. “Infelizmente, a profissão é pouco valorizada, mas sei que podemos fazer a diferença na vida de muitos alunos”.

Para saber mais sobre o prêmio, clique aqui. 
 


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