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12 anos de Todos. Só queremos um presente: Educação Já!

POR Priscila Cruz, do Todos Pela Educação 06 Set, 2018

Acontece no Todos


Institucional

No nosso aniversário, Priscila Cruz, presidente-executiva do movimento, fala dos nossos desejos para o futuro do Brasil

Como avançarmos rumo a uma Educação de qualidade para todas as crianças e jovens? Com todos pela Educação. Essa resposta deu origem ao Todos Pela Educação e tem norteado os nossos esforços ao longo dos últimos 12 anos, completados hoje, 6 de setembro de 2018. Outra pergunta veio, então, na sequência para nos guiar: qual qualidade seria essa? A resposta para essa questão, na nossa visão, inclui:

Princípio 1: Aprendizagem para o desenvolvimento integral da pessoa.

Princípio 2: A definição de qualidade envolve necessariamente o conceito de equidade e inclusão.

Princípio 3: Propostas informadas pelas evidências, conhecimento teórico acumulado, experiências de êxito e pesquisas representativas de opinião com professores e alunos.

Princípio 4: Professores são os mais importantes atores na promoção de uma Educação de qualidade e, portanto, devem ser entendidos como centrais para uma mudança estruturante.

Princípio 5: Se queremos dar um salto de qualidade, a Educação precisará também do apoio das outras áreas estratégicas.

Princípio 6: Precisamos conciliar a resolução de uma agenda básica com as demandas contemporâneas.

Doze anos depois da fundação do Todos, podemos não ter chegado lá ainda, mas já tem muito caminho andado, como dizem por aí. Se antes não sabíamos, afinal, o que cobrar para nossas crianças e jovens, hoje temos documentos e avaliações robustas que qualificam que aprendizagem é essa e por que devemos buscá-la. Termos contribuído para esses aprimoramentos, com mobilização e apoio técnico, nos enche de orgulho.

Nos últimos anos, mais meninos e meninas acessam a escola, um número menor deles evade e uma quantidade maior de crianças e jovens têm aprendido o adequado para sua idade. Mas você deve estar pensando: e os dados negativos que frequentemente estampam os jornais? E as cenas de violência nas escolas? E o baixo índice de jovens que conseguem se formar no Ensino Médio? Tudo isso é verdade. Ainda falta muito a ser feito, o Todos sabe disso e quer que todo mundo saiba também. Por isso, neste aniversário de 12 anos, estamos abrindo um novo capítulo na nossa trajetória: em vez de fazermos apenas um balanço de conquistas, estamos olhando para o futuro e assumimos a frente pela busca por um salto de qualidade na Educação Pública, iniciativa que batizamos de Educação Já!.

Nascemos com a esperança de não sermos mais necessários no ano de 2022, deixando como herança cinco metas cumpridas: todas as crianças e jovens na escola; toda criança plenamente alfabetizada aos 8 anos; todo aluno com aprendizado adequado ao seu ano; todo jovem com Ensino Médio concluído até os 19 anos e um investimento em Educação ampliado e melhor gerido. Infelizmente, elas não serão cumpridas no prazo que estabelecemos lá atrás.

As metas são ousadas, sempre soubemos, mas a exigência está alinhada ao quanto o Todos acredita no potencial das nossas crianças e jovens e do nosso sistema educacional público. Nós acreditamos que, desde que haja apoio e preparo, alunos/as, professores/as, gestores públicos e toda a sociedade podem oferecer Educação de qualidade e com equidade. Essa mesma convicção e expectativa positiva nos levam a não cruzar os braços diante das metas que não serão atingidas. Em vez de bater em retirada, escolhemos tomar a linha de frente e propor uma agenda suprapartidária e tecnicamente rigorosa focada em sete temas prioritários que podem fazer a Educação avançar muito em médio prazo: professores, alfabetização, Ensino Médio, gestão, Base Nacional, financiamento educacional e Primeira Infância. Esse é o presente que queremos dar à sociedade brasileira após esses 12 anos de atuação - um plano estratégico que una diferentes governos em favor de uma Educação de qualidade e, sobretudo, equitativa.

Novamente, é ousado. Mas necessitamos urgentemente dessa ousadia. Estamos propondo que as equipes técnicas das secretarias de ensino sejam escolhidas por excelência, que o financiamento educacional seja aprimorado, que a sociedade cobre por Educação e que as boas iniciativas sobrevivam às legendas partidárias e às disputas políticas. Sem isso, nossa qualidade educacional continuará nas promessas.

Não podemos mais ser meros espectadores das crises educacionais, de aprendizagem, de qualificação docente, de disputa de recursos. O preço da inação é a morte das oportunidades de milhões de crianças e jovens; algo que não tem outro nome senão negligência com o presente e o futuro do País. Educação Já!



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