Educação: é preciso conhecer para mudar

POR Priscila Cruz e Luciano Monteiro 25 Jun, 2019

"Aprender o caminho das boas políticas públicas é imperativo ético, do contrário, corre-se o risco de a agenda educacional construída pela sociedade nos últimos anos ficar na gaveta e o desenvolvimento do País, na retórica", afirmam Priscila Cruz e Luciano Monteiro

O Brasil tem travado algumas batalhas em sua agenda pública ao longo da história. O combate à fome, por exemplo, dominou os debates entre os anos 1980 e 1990, ilustrados por figuras como o admirável sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. À época, era impossível pensar em qualquer outro desafio sem antes garantir que os brasileiros tivessem o que comer. Sabemos que essa reivindicação não foi plenamente resolvida, mas sua demanda foi posta de maneira irreversível.

 

Na Educação, temos assistido amadurecimento semelhante. Há um consenso mínimo entre a sociedade de que muito tempo já foi perdido. É inaceitável que nossos índices de aprendizagem permaneçam tão baixos e a desigualdade de oportunidades tão grande, como os dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2019 mostram. Tal manifestação está consolidada entre a população e especialistas; falta, porém, que o poder público tenha maior envolvimento e compromisso com essa causa. É imprescindível eleger as batalhas certas para fazer do Brasil um País melhor, e a do momento é que se garanta a aprendizagem de nossas crianças e jovens.

 

Nós já temos uma agenda mínima para fazer isso acontecer: o Educação Já!, iniciativa coordenada pelo Todos Pela Educação, em 2018. Ainda que não abarque tudo aquilo que precisamos construir na Educação brasileira, ela indica os primeiros passos a serem dados – trata-se daquilo que devemos garantir em termos de Educação, antes de pensar em qualquer outro desafio.

 

Para avançar na agenda da Educação, é preciso que os gestores conheçam profundamente os indicadores nacionais e de suas regiões e, mais do que isso, que acompanhem as estratégias eficientes para garantirmos uma Educação de qualidade e com equidade. Fazer as escolhas erradas é permitir que 7 em cada 10 jovens que concluem o Ensino Médio continuem saindo da escola sem saber ler adequadamente, condenando-os à expatriação de uma cidadania autônoma.

 

Aprender o caminho das boas políticas públicas é imperativo ético, do contrário, corre-se o risco de a agenda educacional construída pela sociedade nos últimos anos ficar na gaveta e o desenvolvimento do País, na retórica. É hora de nos debruçarmos sobre o conhecimento que acumulamos em décadas de debates e sobre os avanços que conquistamos até aqui. Munidos de um minucioso diagnóstico, podemos, juntos, fomentar e fiscalizar os caminhos da Educação Pública de qualidade para todos.

 

*Luciano Monteiro é diretor de Relações Institucionais da Santillana no Brasil.

*Priscila Cruz é presidente-executiva do Todos Pela Educação.

 

CLIQUE AQUI E BAIXE O ANUÁRIO BRASILEIRO DA EDUCAÇÃO BÁSICA 2019.

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