Educação na pandemia: “Na volta às aulas, temos de fazer uma aliança intersetorial pela Educação”, diz ex-secretário de Educação de Teresina

POR Todos Pela Educação 08 Mai, 2020

Gestores e especialistas debatem medidas cruciais na retomada das aulas no contexto da Covid-19; segundo webinário sobre o assunto ocorre dia 11

Frente a uma crise de saúde e econômica sem precedentes, a Educação, os estudantes e os professores brasileiros não serão os mesmos quando as aulas voltarem - uma nova dinâmica para lidar com os protocolos de saúde e com as marcas emocionais desse momento é um dos vários desafios que estão por vir. Para discutir o cenário que suscita dúvidas, o Todos Pela Educação realizou o primeiro webinário da série “O Desafio da volta às aulas: contribuições para o debate público”, destacando aprendizados de países e regiões que passaram por suspensão prolongada de aulas, reunidos na última nota técnica do Todos sobre o tema. O debate foi seguido por uma segunda parte que discutiu o mesmo assunto com professores da rede pública (assistam aos dois na íntegra abaixo).

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Embora ainda não seja possível definir quando ocorrerá a volta às aulas, construir, em conjunto, propostas que irão proporcionar à Educação Brasileira uma retomada é essencial, defendeu Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos. “As redes de ensino estão fazendo o que podem e os professores desenvolvem um ótimo trabalho com os recursos que têm. Mas nada substitui as aulas presenciais e a relação que o aluno possui com os seus docentes e colegas”.

 

Para isso, será preciso a articulação de diferentes áreas, tendo em vista o desafio financeiro, sanitário, pedagógico e emocional que a pandemia do novo coronavírus representa. Washington Bonfim, ex-secretário de Educação de Teresina (Piauí), reforçou a necessidade de uma união entre as diversas instituições sociais. “Temos de fazer uma aliança intersetorial pela Educação, o que vai exigir vontade política e, sobretudo, compromisso com as crianças e jovens”, enfatizou destacando um dos pontos levantados pela análise feita pelo o Todos.

 

Assista ao debate com os especialistas:

 

 

Veja também a discussão com os professores:

 

 

A nota técnica

Além da necessidade de maior articulação entre setores, a nota técnica O retorno às aulas presenciais no contexto da pandemia da Convid-19: contribuições para o debate público, traz outros aprendizados advindos de países que passaram por longos períodos sem aulas presenciais para os cenários brasileiros. “Sistematizamos e observamos vários estudos e pesquisas. Depois dessa varredura, dividimos o documento com um painel de especialistas com ampla experiência na gestão pública”, explicou Olavo Nogueira Filho, diretor de Políticas Educacionais do Todos. 

 

Os pontos de atenção do material foram fio condutor do debate com os especialista. Raquel Teixeira, ex-secretária de Educação de Goiás, destacou a saúde física e mental da comunidade escolar e a realização de uma avaliação diagnóstica dos alunos como temas de extrema importância. “Temos que desde já planejar e construir uma avaliação diagnóstica atrelada a ações de recuperação, pois isso não se faz da noite para o dia”, ponderou. o ex-secretário Washington concordou e enfatizou a complexidade desse desafio: “será preciso calibrar um exame que dê informações e conteúdos para auferir a aprendizagem bem como indicar caminhos para que os alunos voltem a se interessar pelas aulas”.


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Alexandre Schneider, ex-secretário municipal de Educação de São Paulo, ressaltou a importância de incluir os professores nesse planejamento. “O retorno vai exigir que discutamos com quem conhece os alunos e construa com eles o plano de retomada. Os docentes não são meros transmissores das decisões”, disse. 

 

O que o Brasil já está fazendo

Com uma rede de Educação Básica que atende a 48 milhões de alunos e 200 mil professores, a colaboração entre os entes federados e os desafios materiais que esperam os educadores e gestores na volta às aulas foram temas frequentes no evento. Cecília Motta, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), destacou a importância que a cooperação tem tido nesse processo. “Nós, do Consed, juntamos as nossas forças com o terceiro setor e a Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) para trabalharmos juntos. Nesse sentido, já estamos recebendo experiências ótimas que nos ajudam a balizar as nossas ações”, declarou. Ela também lamentou a paralisação das discussões sobre o principal mecanismo de financiamento da Educação Básica brasileira: “perdemos com a pandemia um momento ímpar: o Fundeb seria votado e agora essa pauta importantíssima está atrasada”.

 

Luiz Miguel Garcia, presidente da Undime, por sua vez, reforçou a falta de articulação do Ministério da Educação (MEC) durante o isolamento social e destacou a prioridade para a criação de um Sistema Nacional de Educação (SNE). “Precisamos estabelecer um regime de pactuação para que não tenhamos desperdícios de potencialidades e recursos e, assim, tornar mais efetivas as ações tomadas.”, explicou. “Um SNE instituído teria ajudado em um momento como este. Espero que o MEC retome essa discussão”. 

 

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Legados da pandemia

Apesar das incertezas, as experiências de países que passaram por situações semelhantes com seus sistemas de ensino indicam que é possível retomar a Educação e herdar das medidas tomadas durante e após esse período aprendizados importantes para o futuro do ensino. Alexandre acredita ser possível desenvolver um olhar integral para os nossos alunos e, a partir da intersetorialidade, criar uma rede de proteção para as crianças e jovens. Raquel sublinha o papel cada vez maior da Educação na vida de todos. “A escola tem que ser o locus do estímulo intelectual e emocional.”, concluiu.

 


 

Conheça os debatedores da primeira parte do Webinário

Alexandre Schneider, ex-secretário municipal de Educação de São Paulo, Cecilia Motta, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Luiz Miguel Garcia, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Raquel Teixeira, ex-secretária de Educação de Goiás, Olavo Nogueira Filho, diretor de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, presidente-executiva e co-fundadora do Todos Pela Educação, Washington Bonfim, cientista político.

 

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