Filhos em casa: como as famílias podem apoiar a aprendizagem durante a suspensão das aulas

POR Bruna Rodrigues, do Todos Pela Educação 19 Mai, 2020

Em live do Todos, especialistas dão dicas para pais e mães que não sabem o que fazer com as crianças e os jovens

Com os alunos em casa devido à pandemia do novo coronavírus, as redes de ensino, os professores e, principalmente, os pais e responsáveis têm muitas dúvidas em relação ao novo papel que precisam exercer na vida das crianças e jovens. Muitos se perguntam como apoiar as crianças a estudar matemática se eles próprios já não se lembram ou ainda como garantir que os filhos adolescentes estudem frente a tantas distrações e estresse em casa. Para debater dúvidas como essas que fazem os pais pedirem socorro, o Todos Pela Educação promoveu uma live, no dia 15 de maio, com Priscila Cruz, presidente-executiva da organização, e Roberta e Taís Bento, educadoras e fundadoras da SOS Educação, plataforma online para orientação de famílias na relação com a escola. O bate-papo resultou em dicas práticas para enfrentar esta situação fora do normal, mas já olhando para o futuro próximo que você confere logo abaixo.

 

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Estudar em casa de olho na volta às aulas
Sem conhecimentos pedagógicos, de comportamento infanto-juvenil e estratégias para ensino, é natural que os pais se sintam perdidos tentando dar assistência aos filhos que estão em casa. Além disso, em muitos lares, o acesso à internet e o silêncio e a organização requeridos para um bom processo de ensino-aprendizagem não são possíveis. Por isso, os prejuízos desse período de suspensão das aulas são certos e os dilemas para a família inúmeros. Mas dá para amenizá-los, garantindo que as crianças e jovens mantenham algum vínculo com os estudos a partir das iniciativas das redes de ensino e apoio dos pais. O objetivo? Garantir um melhor retorno às aulas. “O que estamos fazendo é diminuir o impacto negativo desse distanciamento social e da suspensão das aulas presenciais para a aprendizagem”, afirmou Priscila. Além da live, para apoiar a descoberta de soluções nesse cenário, o Todos Pela Educação já produziu duas análises sobre boas práticas no ensino remoto e também sobre a futura volta às aulas

 

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Veja algumas dicas que vão te ajudar a apoiar seus filhos nesse período!

 

Como podemos estipular uma melhor divisão de papéis entre professores e pais?
Roberta e Taís: Os pais não devem assumir o papel dos professores na vida dos filhos. Por exemplo, quando surgir uma dúvida durante alguma tarefa, é interessante estimular a criança ou o jovem a contatar os seus colegas de sala primeiro. Essa é uma forma de instigar e manter o envolvimento social com a turma. E, caso ela não seja resolvida nesse primeiro momento, incentive-os a perguntarem aos professores. É importante frisar que o pai e a mãe não precisam saber as respostas para os conteúdos da escola! 

 

Como manter um bom clima em casa enquanto atravessarmos a pandemia?
Roberta e Taís: Estabelecer uma rotina em casa é essencial para o bem-estar e a saúde mental da família. O primeiro ponto é que as crianças precisam ter hora de ir para a cama, até porque uma noite completa de sono é fundamental para aprender e brincar. O segundo ponto é que os pais devem arranjar um tempo só para eles. É importante também ter um horário para a criança/ o jovem sentar e estudar, ou seja, se conectar com a aprendizagem formal da escola. O momento de brincar/ descontrair também deve ter um importante espaço na rotina, assim como a divisão de responsabilidades domésticas.

 

Quais dicas vocês podem dar para os gestores públicos e para as famílias de crianças da Educação Infantil?
Roberta e Taís: A fase em que a criança está no Ensino Infantil é importantíssima no desenvolvimento, tanto que  marcará a relação dela com a Educação e a aprendizagem pelo resto da vida. Por isso, não faz sentido sentá-la na frente de uma tela. As escolas devem mandar as atividades e as competências para o ensino-aprendizagem da criança pequena de uma forma acessível, assim os próprios pais conseguem desenvolvê-las com as crianças em casa. Lembrando-se sempre do bem-estar emocional dos pais e de que eles não são educadores formais! É importante que a rede acolha e não cobre os pais pela realização dessas tarefas.

 

O início do Ensino Fundamental são os anos essenciais e mais marcantes da Educação. É etapa importante para garantir a alfabetização, que se consolidará ao longo dos anos. O que pode ser feito pelas crianças dessa etapa?
Roberta e Taís: As escolas não devem exigir a realização de uma quantidade grande de atividades para essas crianças, pois poderia causar uma baixa autoestima nas crianças que, sem apoio pedagógico técnico, podem enfrentar dificuldades, além de frustrar os pais. As letras e os números podem ser trabalhados em casa usando o que se têm, como estimular os filhos a escreverem a lista de compras do supermercado, fazendo juntos receitas culinárias e, claro, lendo para e com as crianças. É importante estipular sessões de tempo para a realização das tarefas enviadas pelos professores, mas sem gerar cobranças nos pequenos.

 

O que é esperado das escolas na futura volta às aulas e que os pais/ responsáveis devem ficar de olho?
Roberta e Taís: Para as escola, além das tarefas feitas durante esse período de distanciamento social, os professores deverão usar as informações que já possuíam dos alunos, e, no momento da chegada, fazer  dois trabalhos: um de acolhimento e outro de atividades diagnósticas para saber como esse chega à sala de aula. A partir daí, sabendo exatamente onde a criança ou jovem está no processo de ensino-aprendizagem, personalizar as ações de acordo com cada estudantes. Temos todos que ter em mente que cada família está vivendo a seu modo situações muito difíceis, nem sempre com os materiais e infraestrutura adequados.

 

Como estabelecer as rotinas domiciliares de uso de telas?
Roberta e Taís: O ideal é não passar mais de meia hora consecutiva em frente ao celular, computadores ou televisões.  Mas, há uma dica prática para não se preocupar em contabilizar as horas de exposição às telas: ao estabelecer uma rotina que reforce e distribua outras atividades no dia a dia das crianças e jovens, o tempo disponível que restará para as telas não será prejudicial. 

 

Observamos que os alunos estão mais cansados e menos motivados durante esse período de ensino remoto. Sabemos que a situação é única e que não há culpados: por isso é importante ter muito cuidado com comentários pejorativos ou negativos contra os professores e tratar desavenças com a escola e não na frente das crianças. O que pode ser feito pelos pais para estimular o engajamento dos estudantes?
Roberta e Taís: Apesar de toda a ansiedade envolvida dos pais e educadores, é muito importante que as escolas desacelerem e evitem cobranças excessivas. Esse é um cenário desafiador para todos. Os alunos podem usar um cronômetro para que, a cada meia hora, possam se movimentar e espairecer, e assim, conseguirem se concentrar mais nas aulas ou pesquisas requeridas. É interessante também estimulá-los antes de estudar a realizar alguma atividade curta de que eles gostem.

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