4° Diálogos #EducaçãoJá: Ensino Médio e formação docente serão prioridades, promete Fernando Haddad

POR Todos Pela Educação 16 Ago, 2018

Representante da candidatura do PT criticou Base Nacional do Ensino Médio e "políticas impostas às escolas" durante encontro organizado pelo Todos

 

O último Diálogos #EducaçãoJá recebeu o representante da candidatura do PT e candidato da chapa à Vice-Presidência Fernando Haddad, que destacou a complexidade do magistério e a necessidade de políticas públicas que sejam discutidas e coordenadas por atores envolvidos na realidade da escola pública brasileira. O encontro foi realizado na sede do Todos Pela Educação em São Paulo.

 

O candidato oficial do PT registrado ontem, 15 de agosto, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é Luiz Inácio Lula da Silva. Como sua candidatura não está impugnada pela Justiça, Fernando Haddad é o representante escolhido pelo partido para comparecer aos compromissos públicos da campanha petista. Em junho, a última pesquisa do Instituto Datafolha mostrou que o partido tinha mais de 2% das intenções de votos, critério adotado pelo Todos para convidar os candidatos para comparecerem aos Diálogos #EducaçãoJá.


Antes de Fernando Haddad, estiveram entre os convidados da série de conversas com os presidenciáveis os candidatos Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB) que, em comum, destacaram a centralidade dos professores para o avanço da aprendizagem.

 

Confira abaixo as propostas que a chapa do PT defende para a área educacional, organizadas por temas.

 

 

Ensinos Médio e Profissionalizante

A participação de Fernando Haddad no Diálogos foi pontuada por referências constantes ao Ensino Médio, etapa de ensino que, segundo o representante da candidatura do PT, será uma das prioridades do partido caso chegue ao governo. Uma das promessas relacionadas à etapa é uma repactuação de apoio ao Ensino Médio com os governadores.

 

Fernando Haddad também fez duras críticas à “reforma” do Ensino Médio (Lei nº 13.415), aprovada pela gestão Temer em 2017. “Essa Medida Provisória não diz nada. É uma  agressão à comunidade educacional. Para um futuro governo Lula queremos usar a direção do Plano Nacional de Educação (PNE)”, afirmou. Ele complementou dizendo que qualquer mudança real que se queira nas salas de aula requer um pacto com os educadores, alunos e famílias e, por isso, há grandes chances de nenhuma mudança efetiva se concretizar no Ensino Médio do País se não for realizada nesses moldes.

 

O Ensino Profissionalizante, um dos itinerários formativos do “novo” Ensino Médio, também requer mudanças, pontuou Fernando Haddad. Para ele, o Sistema S (conjunto de instituições como Sesi, Senac, Sesc e Sebrae) precisa de mais fiscalização, transparência e contrapartida das empresas em função do dinheiro público que é investido na modalidade. “Eles precisam estar mais comprometidos com o Ensino Médio e a juventude brasileira”, disse.

 

Gestão/ Colaboração

Ex-ministro da Educação, Fernando Haddad destacou a experiência acumulada durante seus seis anos à frente da pasta (2005- 2012) nos mandatos do ex-presidente Lula e da ex-presidenta Dilma Rousseff. Para ele, seu conhecimento acumulado determinará a qualidade da organização da pasta de Educação dos próximos anos, caso o PT seja eleito. “No meu tempo, nós tivemos a preocupação de escolher pessoas de alta qualidade técnica, e repetiremos isso. O presidente Lula garantiu que pretende puxar a Educação para sua mesa e não apenas escolher um ministro prestigiado”, afirmou.

                      

O representante do PT destacou também o papel do Governo Federal na preservação de políticas que apresentam bons resultados. “Uma série de mecanismos positivos de gestão entre a União e as redes se perderam. Eles precisam ser retomados e aperfeiçoados para aprimorar a infraestrutura, o orçamento e a formação docente”, afirmou.

 

Professor

Durante a conversa, Fernando Haddad destacou a complexidade da carreira docente e indicou que, caso seja reeleito, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva olhará com muito cuidado para a formação desses profissionais. “Queremos concretizar a prova nacional para ingresso na carreira docente, mas não de cima para baixo e sim com as entidades ligadas aos professores. Os concursos hoje são muito ruins. Elas não cobrem os temas práticos da sala de aula”. O representante do PT afirmou ainda que garantir um salário inicial atrativo é condição básica para alavancar a carreira.

 

Também está entre os planos da chapa do PT, se eleita, estabelecer uma nota mínima do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para o ingresso na carreira docente. “Precisamos avançar na carreira sim, mas, simultaneamente, na cobrança”, defendeu Fernando Haddad.

 

Financiamento

Resgatar o que está posto no Plano Nacional de Educação (PNE) para o financiamento da Educação será a diretriz da gestão petista. “Iremos discutir os caminhos para efetivar as metas parciais de investimento previsto no plano. Na nossa ótica, o Brasil precisa investir em Educação acima da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico ou Econômico)”, afirmou Fernando Haddad.

 

Ele destacou também como modificar o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), elogiando uma proposta que foi elaborada por um comitê de financiamento do Todos Pela Educação. “A melhor ideia a respeito dessa temática que ouvi nos últimos tempos é a criação de mecanismos de complementação financeira para municípios que estejam em um patamar de investimento muito aquém do mínimo necessário para custear o ensino. Essa parece ser uma necessidade”. Ainda sobre o equilíbrio do orçamento da pasta, Fernando Haddad afirmou que uma futura gestão do PT pretende diminuir a diferença de investimento entre Educação Superior e Básica.

 

Alfabetização

Fernando Haddad criticou também a cultura avessa à alfabetização na idade certa que ainda ocorre no Brasil, segundo ele. “ Por que o Fundamental I passou a meta no Ideb, mas a alfabetização não avança?”, questionou. “Precisamos retomar o debate da alfabetização na idade certa. Em termos de políticas públicas, é prejudicial à criança quando se estende demais esse período. Mas só isso não basta. Temos de associar esse debate à formação dos professores alfabetizadores. É o que pretendemos”.

 

Primeira Infância

Uma política de Primeira Infância requer a articulação de diversas pastas, foi o que defendeu o representante do PT quando o assunto eram crianças de 0 a 6 anos. “Às vezes não basta a Creche. Há situações muito complexas de crianças do campo, por exemplo, que exigem outras iniciativas paralelas”, ponderou. “A atuação do Estado em relação à Primeira Infância precisa ser mais atenta. Muitas vezes isso não diz respeito ao dinheiro e, sim, a aprimorar a coordenação entre as ações”.

 

Base Nacional

Assim como o “novo” Ensino Médio, Fernando Haddad também criticou com veemência a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio e apontou que, em sua opinião, será preciso melhorá-la, além de adequar as avaliações nacionais de larga escala a ela. Queremos o que chamamos de uma federalização progressiva. O que passará por adaptar a Prova Brasil e o Enem para a Base, além de uma mudança no Ensino Fundamental II - com reforço do ensino de ciências”, prometeu.


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