Não há desenvolvimento econômico e social sem Educação Básica de qualidade

POR Bruna Rodrigues, do Todos Pela Educação 29 Out, 2019

Relevância da Educação Básica para o desenvolvimento econômico e social brasileiro foi consenso entre lideranças do poder público e da sociedade civil em evento realizado pelo Todos Pela Educação com o Itaú BBA

Rodrigo Maia e Priscila Cruz

 

“Num mundo cada vez mais competitivo, a Educação Básica assume um papel absolutamente central no desenvolvimento de uma nação”. Com essa afirmação, Olavo Nogueira Filho, diretor de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, abriu o Debate Educação e a Agenda de Competitividade na noite da última segunda-feira (28) em São Paulo. O evento, realizado  pelo Todos e pelo Itaú BBA, contou com diversos especialistas da Educação, economistas, empresários e membros dos poderes Legislativo e Executivo -  todos reunidos para apresentar, conhecer e discutir as evidências que mostram a relação entre a Educação Básica, o crescimento econômico de longo prazo e o cenário social brasileiro.

 

                                                           

Veja mais sobre a relação da Educação Básica com o crescimento econômico de longo prazo nesse vídeo apresentado no evento.

 

 

Candido Bracher, presidente executivo do Itaú Unibanco: “A reforma mais urgente é a que puder melhorar os indicadores educacionais”.


Candido Bracher, presidente-executivo do Itaú Unibanco, e Priscila Cruz, presidente- executiva do Todos, foram os responsáveis por detalhar os objetivos e motivações para a realização do evento. Candido afirmou a importância de serem realizadas grandes reformas no Brasil, destacando as mudanças no sistema educacional como fundamentais para a garantia de efeitos duradouros: “Sem uma melhora radical na qualidade da nossa Educação, o País está condenado a um desenvolvimento medíocre. Um crescimento que não se apoia em conhecimento é fugaz”. 

 

Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação: “Se quisermos um Brasil melhor, temos que investir nas pessoas”


Priscila, por sua vez,  destacou que “enquanto o País não resolver investir em sua gente, as diversas reformas em curso não serão suficientes para, de fato, termos um País mais justo e próspero”. Além disso, enfatizou a necessidade de uma mobilização das lideranças brasileiras de diversas áreas em prol da Educação: “Esse evento nasceu da necessidade de, cada vez mais, sairmos da bolha da Educação. Precisamos trazer todo mundo para essa causa e aqui estão muitas das pessoas que poderão nos ajudar fazer as mudanças necessárias”.

 

Priscila Cruz e Candido Bracher

 

Jaime Saavedra, diretor global de Educação do Banco Mundial: “O verdadeiro desafio do Brasil é investir no seu capital humano”

 

O diretor global de Educação do Banco Mundial, Jaime Saavedra, apresentou o Índice de Capital Humano (ICH), indicador criado em 2018 pelo órgão que define a quantidade de capital humano que uma criança nascida hoje pode alcançar considerando os riscos de saúde precária e Educação insuficiente do país em que vive. Os resultados mostram que os brasileiros que nasceram em 2017, quando adultos, terão 56% da produtividade que poderiam ter caso tivessem acesso a um ensino e uma saúde adequados. Estes resultados são próximos da média global, com o Brasil ocupando o 81º lugar em uma comparação entre 157 países analisados, mas abaixo do que seria esperado para um país com o seu nível de renda.

 

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Jaime foi categórico: “no Brasil, quase todas as crianças estão na escola, mas com a baixa qualidade do ensino os avanços em anos de escolaridade não têm se refletido em ganhos de produtividade. O País passa por uma crise de aprendizagem e é isso que importa: aprendizagem”. Junto com o ICH, o diretor do Banco Mundial também apresentou o conceito de Pobreza de Aprendizagem, definido como uma criança que não consegue ler e entender um texto simples aos 10 anos. Os dados mostram que 48% das crianças brasileiras de 10 anos estão nessa situação. “Eliminar a Pobreza na Aprendizagem se assemelha ao objetivo de acabar com a fome e a extrema pobreza”, frisou.
 

Rodrigo Maia, Presidente da Câmara dos Deputados: “Se o modelo está dado, se existem evidências e ninguém consegue resolver os principais entraves educacionais, é porque há um problema estrutural do Estado envolvendo o gasto público”

 

O encontro contou, também, com uma conversa entre a Priscila Cruz e o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ). Durante sua exposição, ele reiterou a necessidade de buscar maior eficiência nos gastos públicos e na gestão da Educação. 

 

A importância de considerar os desafios do orçamento do Governo Federal na hora de pactuar o financiamento do ensino público também foi destacada: “Precisamos ir na Comissão do Fundeb e dizer que ou esse debate vai ser para o mundo real ou travaremos tudo e vamos ver o que acontece no ano que vem, que é o pior dos mundos”. 

 

Já Priscila destacou a relevância da discussão de um novo mecanismo de financiamento que combata a desigualdade e seja sustentável economicamente, e reforçou que urge o avanço da matéria pelo Congresso Nacional ainda esse ano. “Essa é uma oportunidade única para definirmos uma nova modelagem do Fundeb em benefício dos municípios e alunos mais pobres, fazendo com que o aprendizado seja o principal objetivo, e não apenas o recurso por si próprio”, afirmou.  Priscila também reafirmou o compromisso do Todos pela Educação de seguir apoiando tecnicamente a Comissão Especial do Fundeb, bem como todo trabalho legislativo no Congresso Nacional.
 

Olavo Nogueira Filho

 

Olavo Nogueira Filho, diretor de Políticas Educacionais do Todos: “Ainda temos muito a fazer, mas a boa notícia é que temos evidências e casos de sucesso na Educação Básica pública brasileira que nos mostram que é possível mudar o cenário em escala nacional”

 

Para abrir o Painel “Educação como prioridade nacional", Olavo apresentou um cenário dos desafios e avanços na Educação Básica brasileira. “A despeito de um cenário ainda inaceitável do ponto de vista dos resultados de aprendizagem, nos últimos 10 anos houve uma evolução expressiva nos indicadores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e há hoje exemplos de melhorias significativas em estados como um todo. Por exemplo: Ceará, Pernambuco e Espírito Santo.  Esses casos mostram que com uma boa formulação técnica e alto grau de prioridade política é possível mudar o jogo”, concluiu.
 

João Marcelo Borges 

 

Da esquerda para a direita: Ana Carla Abrão, Marcos Magalhães, Paulo Hartung, Jaime Saavedra e João Marcelo Borges.

 

Educação como prioridade política nacional

 

Mediado pelo diretor de Estratégia Política do Todos, João Marcelo Borges, o último painel do evento contou com a participação de lideranças governamentais e  de especialistas em economia e Educação para debater o que é preciso fazer para colocar a Educação como prioridade política nacional. Veja abaixo alguns destaques das falas dos participantes:

 

Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo
“É da consciência do líder que vem a decisão de tornar a Educação uma prioridade.”
“Prioridade política para a Educação é respaldar o secretário da pasta para que  possa seguir em frente com uma agenda técnica inspirada naquilo que já dá certo em outros lugares do Brasil.”


Marcos Magalhães, presidente do Instituto de Corresponsabilidade pela Educação
“Vivemos em uma democracia e a alternância de poder é natural. Porém, Educação se faz com um “P” gigante de perseverança - é fundamental haver continuidade na política pública. Ceará e Pernambuco não são exemplos de avanços significativos à toa.”
“Conclamo meus colegas empresários a se engajarem na causa da Educação. Mais do que o apoio financeiro a bons projetos da sociedade civil, a participação efetiva é central para tornamos a educação uma prioridade.”

 

Ana Carla Abrão, head da Oliver Wyman no Brasil e ex-secretária de Fazenda de Goiás
“Trata-se da agenda mais importante para o Brasil. Se não melhorarmos a nossa Educação, como conseguiremos garantir a produtividade do País, gerar renda e empregos e diminuir a desigualdade social? ”
“Por que a gente não está discutindo algo que é tão transformador e poderoso para a Educação, que é a eficiência do Estado?”

 

Jaime Saavedra, diretor global de Educação do Banco Mundial
“Para qualquer país, tão importante quanto a equipe econômica é a equipe à frente do Ministério da Educação. É preciso dar a essa área o mesmo status de importância que tem o Ministério da Economia.”

 

João Marcelo Borges, diretor de Estratégia Política do Todos Pela Educação
“Além de uma política social, protetora e promotora de um direito humano e constitucional, a Educação precisa ser entendida como uma política de competitividade do País. Esse é um primeiro passo para conferirmos a devida prioridade política ao tema da Educação.”

 

VEJA AQUI A APRESENTAÇÃO COM DESTAQUES DO CENÁRIO EDUCACIONAL BRASILEIRO

 

 

Ana Inoue

 

Caio David Ibrahim

 

Educação Já!

 

O debate foi concluído por Ana Inoue, assessora de Educação do Itaú BBA e atual presidente do Conselho do Todos Pela Educação e Caio David Ibrahim, presidente e CEO do banco. Ana reforçou a importância da visão sistêmica que a iniciativa Educação Já - coordenada pelo Todos Pela Educação - deflagrou perante o debate público e chamou a atenção para a importância da Educação Técnica e Profissional para melhorar a atratividade da escola e a formação dos jovens. “Não é sustentável pensar em um projeto de desenvolvimento de uma nação sem que se pense na formação para o mundo do trabalho, trajetória hoje seguida por mais de 80% dos jovens brasileiros que concluem o Ensino Médio”, disse. Já Caio reforçou o compromisso do Itaú BBA com a agenda da Educação Básica e destacou a importância do Educação Já! para o Brasil: “O País estará muito melhor quando colocar em prática a agenda que o Todos Pela Educação vem liderando.”

 

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Fotos: João Mantovani/M31 Produções

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