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Educação: o slogan até então vazio das campanhas políticas

POR Todos Pela Educação 04 Set, 2018

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Educação Já, eleições

Especialistas e políticos discutem a relação entre Educação e economia durante o Exame Fórum, em São Paulo

Desde meados de agosto, estamos sendo bombardeados por informações sobre os planos de governo dos candidatos que estão batalhando pela (re)eleição. O brasileiro está acostumado a promessas, mas até que ponto o que está na boca dos políticos será realmente posto em prática a partir de janeiro de 2019?

 

Para Luís Roberto Barroso, ministro do Superior Tribunal Federal (STF), a Educação é um dos temas tratados como slogan vazio de campanha eleitoral, uma vez que nunca foi a real prioridade dos governos, especialmente do Federal. “Durante a transição do governo da Dilma e Temer, o foco das preocupações era saber quem assumiria o Ministério da Fazenda, quem estaria à frente do Banco Central ou na liderança do BNDES. Não havia, entretanto, o menor interesse em saber quem assumiria o Ministério da Educação, que, como sempre, entrou no bolo da política geral”, comentou ele, durante sua fala na manhã desta segunda-feira, 3 de setembro, durante o EXAME Fórum.

 

+Confira o levantamento exclusivo sobre as propostas de Educação dos 13 candidatos à presidência.

 

Realizado em São Paulo, o evento contou com o apoio técnico do Todos Pela Educação e recebeu o subtítulo “Economia e Educação – a agenda imprescindível para o Brasil crescer”. Durante um dia inteiro, o EXAME Fórum reuniu autoridades, empresários, especialistas e candidatos à Presidência da República para debater as perspectivas para o desenvolvimento da economia nos próximos quatro anos e o papel da Educação brasileira nesse cenário.

 

"A Educação tem um poder transformador enorme da trajetória individual. E, quando esse trabalho é feito de maneira coletiva, ele se transforma em desenvolvimento econômico para todo o País”, avaliou Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco, sintetizando um dos efeitos mais conhecidos da correlação entre Educação e economia.

 

Apesar do consenso em torno dessa articulação fundamental, não é de hoje que o Brasil vem apresentando um índice de produtividade negativa, conforme apontou durante o encontro Mailson da Nóbrega, economista e ex-ministro da Fazenda. Isto é, nem quando o impacto é claro na evolução econômica do País, o slogan da Educação emplaca.

 

Essa falta de atenção em relação à área educacional não é resultado de um cenário positivo. Muito pelo contrário: a divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2018 mostra que evoluímos muito pouco, especialmente nos índices de aprendizagem e aprovação escolar do Ensino Médio, que permanecem estagnados há 12 anos. Vivemos uma crise de aprendizagem profunda e, para o ministro do STF Barroso, a falta de continuidade nas gestões é um dos problemas que ajudam a manter este cenário: “Não há política pública que resista à descontinuidade política”, avalia.

 

Mas então, o que precisamos fazer para que a Educação seja prioridade?

Para Barroso, é preciso um projeto suprapartidário, possível de ser implementado e capaz de reverter a crise de aprendizagem instituída no País. E precisa ser já: “Estamos vivendo a quarta revolução industrial, a digital. Nessa nova sociedade, o capital humano é um dos principais valores. Basta ver que entre as maiores empresas do mundo estão Facebook, Apple, Google, Amazon”, comentou ele.

 

Mas, além da necessidade de prepararmos nossos jovens para este futuro (que, na realidade, já se faz presente), a sociedade precisa entender que pode exigir qualidade dos serviços públicos. “Eu realmente acredito que estamos todos passando por um processo de estruturação e refundação ética no País. Tenho uma sensação muito otimista, de que a sociedade está se organizando neste sentido e que será possível mudar”. Para Barroso, além de mecanismos de monitoramento efetivos das políticas públicas implementadas em Educação, que ajudem a entender o que está tendo sucesso e o que precisa ser revisto, outros dois pontos precisariam ser foco da próxima gestão: alfabetização na idade certa e políticas que evitem a evasão no Ensino Médio, além da ampliação do Ensino Profissionalizante.

 

Mapear a eficiência das políticas públicas educacionais também esteve na fala de Nuno Crato, ex-ministro de Educação e Ciências de Portugal, que abordou, em sua fala no EXAME Fórum, aspectos importantes para o avanço de Portugal no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA). Para ele, a Educação precisa estar no centro do debate do País, com foco na análise do cenário e na atenção aos resultados. “É como fazer um regime. Chás e óleos podem ajudar, mas o que vai proporcionar mudanças reais mesmo é algo mais difícil: controle da alimentação e exercícios”, comparou.

 

A presidente-executiva do Todos, Priscila Cruz, apresentou o EducaçãoJá!, iniciativa suprapartidária liderada pelo movimento que construiu prioridades e diretrizes de longo prazo para a Educação, nos próximos quatro anos do Governo Federal, contados a partir do próximo ciclo político - ou seja, a partir do ano que vem. As medidas prioritárias discorrem sobre formação e carreira docente; implementação da Base Nacional Comum Curricular; primeira infância; alfabetização; reestruturação do Ensino Médio; gestão das redes e governança do sistema educacional e financiamento.

 

Em sua fala, Priscila concordou com Nuno Crato: “Não podemos ter soluções simples para problemas complexos. Não tem bala de prata na Educação”, explicou, afirmando que o Brasil precisa melhorar a alocação de recursos e a implementação das políticas públicas na área educacional.

 

E se você, assim como nós aqui do Todos, quer fazer parte dessa mudança, confira o documento técnico da nossa proposta #EducaçãoJá. Juntos, podemos trabalhar pela mudança que o País precisa para transformar a Educação brasileira em um projeto efetivo, central e definitivo – e não mais um slogan vazio retomado de quatro em quatro anos.

 

Assista aos vídeos da transmissão do EXAME Fórum 2018:

Parte 1

Parte 2



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