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Perguntas & Respostas: O que é o Pisa?

POR Lázaro Campos Júnior, do Todos Pela Educação 17 Set, 2018

Entenda como funciona uma das principais avaliações educacionais do mundo e por que ela é importante para as políticas públicas brasileiras

Realizar uma avaliação periódica faz parte de várias áreas da vida. O tal check-up médico, por exemplo, é essencial para saber se a saúde vai bem e quais tratamentos e medidas devemos tomar para nos prevenir. Na Educação não é diferente. A cada três anos, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) aplica o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). O exame internacional permite que os países participantes saibam como está o seu sistema educacional e fornece dados para saber o que é possível fazer para melhorar.

 

Abaixo, conheça mais sobre o Pisa.

 

O que o Pisa avalia e com qual frequência?

Em linhas gerais, o exame avalia como estudantes de todo o mundo conseguem usar na vida real o que aprenderam na escola. O teste começou a ser aplicado em 2000, com questões de matemática, leitura e ciências. Em 2015, o Pisa passou a incluir também a solução colaborativa de problemas e letramento financeiro. O teste é aplicado a cada três anos e a última aplicação foi em 2018. os resultados devem ser divulgados no final do ano que vem.  

 

Quem pode participar do Pisa?

O exame avalia estudantes de 15 anos matriculados a partir do 7º ano do Ensino Fundamental. No Brasil, essa faixa etária corresponde àqueles cursando o 1º ano do Ensino Médio. A opção por tal idade não é um acaso: ela foi escolhida porque, em média, é nessa época da vida escolar que os alunos ao redor do mundo completaram ou estão completando a Educação Básica obrigatória em seus países.

 

Quem aplica o exame e quantos países participam?

O Pisa é aplicado pela OCDE, organização internacional que reúne 37 países (desenvolvidos, em sua maioria) com o objetivo de promover melhores políticas públicas para o bem-estar econômico e social de seus membros. Porém, países não-membros podem solicitar a participação ou serem convidados - caso do Brasil, que participa como país convidado desde a primeira edição do exame. Em 2018, a prova foi aplicada em 70 países.

 

Normalmente, um órgão do governo coordena a realização da prova em cada país. No Brasil, quem faz isso é o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

 

O Pisa coleta apenas informações sobre aprendizagem?

Não. Além das questões sobre os conteúdos e disciplinas já citados, o Pisa realiza um questionário específico para alunos, professores e diretores escolares que participam da prova ao redor do mundo. Isso permite que o desempenho de determinado país seja analisado à luz da realidade local, a partir de variáveis econômicas, demográficas e educacionais. Com essas informações contextuais, é possível saber como anda a desigualdade de aprendizagem em um determinado sistema de ensino ou quantas horas os professores usam para lecionar em sala de aula, por exemplo.

 

Como os resultados do Pisa são divulgados?

Não há divulgação do resultado individual por aluno ou escola, mas sim por país. No caso da última edição (2018), as informações nacionais serão publicadas 2º no semestre de 2019. Há relatórios gerais, com principais achados de toda a avaliação e também documentos sobre países específicos.

 

Que uso podemos fazer desses dados?

Publicações e relatórios do Pisa trazem análises de aspectos importantes da vida escolar para além da avaliação em si. Baseados nos resultados de 2015, por exemplo, foram lançados volumes sobre excelência e equidade e sobre práticas e políticas de escolas bem-sucedidas. Mensalmente é publicado um estudo abordando um assunto específico, conhecidos como Boletim “Pisa in Focus”. Outros documentos da OCDE utilizam-se dos resultados da prova - é o caso da publicação anual Education at a Glance (Um olhar sobre a Educação).

 

Qual a importância de participar do Pisa?

Com a divulgação dos resultados, o exame costuma colocar as nações em listas de desempenho nos conhecimentos avaliados - por isso, é comum ouvirmos que o Brasil está em 59º (de 70 países) lugar em leitura, por exemplo. No entanto, o melhor uso dos resultados é observando as diferenças e semelhanças entre os sistemas educacionais dos diferentes países. Esse aspecto é muito importante, pois deixa claro que o intuito principal do Pisa não é o ranking de sistemas de ensino, mas sim apontar caminhos para melhorias da Educação inspiradas em boas práticas de outras nações. Desse modo, além de ter mais uma fonte de informação sobre a situação do ensino no Brasil, os dados servem para embasar estudos que indiquem novas soluções para as nossas questões educacionais.

 

Posso comparar o Brasil com a Finlândia ou Singapura, por exemplo?

Como explicado na pergunta anterior, toda e qualquer comparação entre países precisa ponderar os diversos fatores que afetam o desempenho de seus alunos e sistemas de ensino. Por exemplo, a Finlândia tem cerca de 5,5 milhões de habitantes. Só de crianças e adolescentes dentro da escola, o Brasil tem 48,8 milhões. Já Singapura fez do investimento em Educação o foco de seu desenvolvimento desde a sua independência em 1965. No Brasil, por outro lado, o acesso à Educação começou a ser universalizado apenas a partir dos anos 1980. Portanto, o recomendável é inspirar-se nas políticas de sucesso, mas não copiá-las sem crítica ou análise de contexto socioeconômico com o objetivo de atingir uma posição no ranking a qualquer custo.

 

Posso comparar dados do Pisa com o Saeb?

Não, porque as duas avaliações medem conhecimentos diversos de modos diferentes. O Saeb procura avaliar a proficiência dos alunos brasileiros do 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e do 3º do Ensino Médio nos conteúdos curriculares de língua portuguesa e matemática. Já o Pisa testa a capacidade dos estudantes de usarem os conteúdos escolares para resolução de questões em ciências, matemática e leitura. A introdução de Ciências no Saeb vai ocorrer apenas na próxima edição, de 2019. Os resultados não são, portanto, comparáveis.

 

Tem como eu saber como a escola do meu filho se saiu no Pisa?

Não. A divulgação dos dados colhidos pela OCDE ocorre apenas em nível nacional - ou seja, só é possível saber o desempenho de um país nos conteúdos e competências avaliados, e não de um estudante ou de uma escola em especial.

 

O Brasil tem mau desempenho no Pisa. Por quê?

A posição do Brasil no Pisa é ruim por razões que vão desde a demora histórica para começar a universalizar a Educação Básica até à falta de investimento por aluno suficiente para garantir a aprendizagem. Como sabemos, o Brasil nunca priorizou a Educação como política pública central para o seu desenvolvimento como nação. Países como Singapura e Coréia do Sul, por exemplo, conseguiram um expressivo desenvolvimento no século XX pois deram a importância necessária para a área educacional. A melhoria do nosso ensino e do País como um todo só ocorrerá se a maior prioridade do Brasil for a Educação Já!



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