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Por que pensar em Educação de qualidade neste momento é urgente?

POR Pricilla Kesley, do Todos Pela Educação 23 Out, 2018

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Educação Já

"Diante do fim do bônus e de uma transição demográfica, estamos frente a uma janela de oportunidade única para a Educação brasileira", afirma Pricilla Kesley

 

Estamos passando por um período de eleições tão conturbado que talvez um assunto determinante para o futuro do País tenha passado despercebido: o Brasil vive um momento único para impulsionar seu crescimento, desde que a Educação de qualidade seja colocada no centro do plano nacional. E isso pode ser explicado por dois fatores.

 

O primeiro deles é que estamos vivendo o período do tal bônus demográfico. Você já ouviu essa expressão? Em linhas gerais, ela diz respeito a algo muito simples: quando o número de pessoas em idade ativa, isto é, com capacidade de trabalhar, de um país é maior que o número de inativos (crianças pequenas e idosos, por exemplo). Essa proporção maior de pessoas que estão aptas a ingressar no mercado de trabalho significa maiores oportunidades para expandir a economia do país. Se o conceito parece simples, aproveitar esse cenário fértil não é, pois ele só se torna de fato uma vantagem se os cidadãos em idade ativa - ou seja, entre 15 e 64 anos - forem bem formados. E, para isso, Educação de qualidade é absolutamente fundamental.

 

Atualmente, o Brasil vive o final desse período de bônus demográfico e a próxima década será decisiva para que um grande contingente de trabalhadores jovens impulsione o nosso desenvolvimento socioeconômico. Mas, para garantir que isso aconteça, é determinante que nesse e nos próximos ciclos de governo (municipal, estadual e federal), a Educação esteja no centro de projeto de país. Afinal, apenas uma Educação de qualidade, equitativa e crítica será capaz de formar pessoas autônomas, com oportunidades iguais e antenadas com os desafios contemporâneos - como a expansão das tecnologias, o “fechamento” de velhos mercados e o surgimento de novos. Se não apostarmos nossas fichas na qualidade e na equidade da Educação, como boas experiências nacionais mostram ser possível, atrasaremos ainda mais o desenvolvimento do Brasil, como apontou o economista norte-americano Eric Hanushek em visita recente ao País.

 

+++“O BRASIL NÃO PODE MAIS NEGLIGENCIAR O SEU FUTURO”, DIZ ERIC HANUSHEK

 

O segundo fator que justifica investirmos mais em Educação neste momento do País é a nossa transição demográfica, onde sairemos de uma população mais concentrada na faixa etária jovem/adulta para um grupo majoritário de adultos/idosos. Isto é, nossas taxas de natalidade ou nascimento estão caindo, tendência que se confirma ao longo das últimas décadas, e nossa população de idosos está crescendo em maior velocidade. De acordo com as projeções demográficas feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2030 o grupo de pessoas com mais de 60 anos será superior ao de crianças com até 14 anos.

 

Em poucos anos, portanto, menos crianças ingressarão nas escolas, o que acarretará um quadro propício para impulsionar políticas educacionais importantes para aumentar nossa qualidade de ensino, como a ampliação da jornada escolar e o aumento de investimento por aluno. É preciso que os políticos eleitos ajam com inteligência, a fim de apostar em ações que aproveitem nossos recursos e maximizem a aprendizagem dos estudantes. Nesse sentido, o Todos Pela Educação vem liderando uma iniciativa composta por uma série de ações combinadas que podem fazer a Educação dar esse salto em curto prazo: o Educação Já, que propõe sete prioridades para que a área educacional se desenvolva no Brasil.

 

Estamos diante de uma janela de oportunidade única para cobrarmos os governantes e nos engajarmos enquanto sociedade em um plano estratégico para a Educação brasileira. A hora é agora, o tempo da Educação é já.



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